2.7.17

Ghost Memory Capítulo 2 por C.C


Capítulo 2

Para variar, a mulher da meteorologia tinha se enganado na previsão daquele dia. A suposta tarde ensolarada tinha dado lugar a um céu encoberto que deixava adivinhar uma possível noite de chuva. Mesmo assim a sua esposa parecia bastante animada com a visita ao cemitério.
Parte dessa animação devia-se à companhia do marido. Já fazia algum tempo que não saíam como um casal, apesar da saída não ser aquilo que poderiam considerar um encontro.

Por outro lado ele não parecia minimamente entusiasmado.
Na sua visão o cemitério era como um cofre que guardava os seus maiores segredos, cofre esse que ele não tinha intenções de abrir.
Após a limpeza do túmulo dos avós a mulher pediu que a deixasse um pouco sozinha para orar pelos seus parentes. Prontamente atendeu ao pedido pois já começava a sentir-se desconfortável naquele sitio.
Nunca pensara que uma simples ida ao cemitério o fosse incomodar de tal maneira. Afinal, para ele não fazia sentido recordar os mortos.
Caminhava sem rumo por aqueles corredores, onde deveriam descansar as almas de centenas de pessoas que haviam completado a sua missão neste mundo, quando uma das campas chama a sua atenção. Não era pela localização ou pelas flores que cobriam grande parte da pedra, nem mesmo pelo nome gravado a negro mas sim aquela pequena fotografia quase oculta pelas pétalas das rosas.
***
O som de passos ecoava pelo edificio abandonado enquanto atrás de si o ranger da madeira anunciava que não estava sozinho. Pela primeira vez o seu plano não dera certo. Mesmo depois de horas a analisar os possíveis cenários nunca lhe passara pela cabeça que alguém pudesse antecipar os seus movimentos e pressentir a sua sede de sangue a ponto de lhe conseguir escapar.
Agora não podia voltar atrás por muito anestesiado que estivesse. Não fosse só pelo orgulho de assassino mas também porque a sua identidade fora descoberta.
"Se aquele homem conseguir fugir é o meu fim."
Apesar de tudo a adrenalina do inesperado só o excitava mais, como uma criança a brincar de esconde-esconde.
Não era preciso palavras, o instinto guiava-os pelos corredores daquela casa onde nenhum dos dois havia estado antes. Um para fugir outro para encontrar.
Escondido atrás de uma porta velha e podre o rapaz agarra num estilhaço de vidro perdido no chão. Não entendia a situação, não fizera nada para ser odiado, porque alguém que nunca vira antes quereria matá-lo?
Encolheu-se ao ouvir barulho no corredor. Não queria morrer, não queria ser mais uma vitima num caso de homicidio por resolver. E assim que a porta se abriu juntou toda a sua força e coragem naquele caco de vidro e cravou-o sem piedade nas costas do homem que o perseguia sem razão aparente.
A dor que supostamente deveria sentir foi camuflada pelas sensações do momento. Para além de lhe conseguir fugir ainda o ferira. Sem dúvidas aquele rapaz tinha algo de especial. Sim, era mesmo uma ótima vitima.
E agarrando no braço trémulo deslizou a lâmina pelo pescoço fazendo jorrar o sangue para a sua camisa, o olhar esbogalhado encarando a face da morte, a última coisa que viu.
***
A respiração pesada marcava agora os seus movimentos. Sentia-se a ter um ataque de pânico em pleno cemitério. Mas acima de tudo era possuído por um enorme sentimento de culpa que parecia querer consumi-lo até ao mais fundo do seu ser.
- Quem vir essa cara até pensa que estás arrependido.
A voz desconhecida ecoou nos seus ouvidos sobressaltando-o. Pensava que estava sozinho, e o que é que aquilo queria dizer? Era como se quem falasse soubesse do seu passado, soubesse que fora ele que... Impossível!
Virou-se para trás abruptamente mas para sua surpresa não encontrou ninguém. Estaria a imaginar coisas devido ao stress?
- Todos os criminosos são assim hipócritas?
Não podia ser. Com certeza algo estava errado com a sua visão. O que viu naquele momento ia contra tudo o que acreditava, pior, era cientificamente impossível. Mas apesar de todas as controvérsias a verdade é que sentado em cima da campa, com o ar mais descontraído, estava o rapaz da fotografia.
- Parabéns, estás a ser assombrado.

3 comentários:

  1. Que frio na espinha! A estória é muito boa, estou adorando ^_^ Curiosa pra saber mais sobre esse passado sombrio.

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  2. Essa hstória é para deixar uma pessoa sem respirar
    eu desatava a chorar se me dessem os parebens por estar a ser assombrada XD

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  3. Obrigado por acompanharem, Golden e Rima. ^^ Fico contente que estejam a gostar. O desafio de fazer algo diferente parace ter funcionado =)

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