5.7.17

Ghost Memory Capítulo 3 por C.C


Capitulo 3

- Querido? Ah, estás aí. - A voz feminina e familiar chega até ele. - O que aconteceu? Estás pálido.
Nada saia da sua boca. A saliva fugira-lhe e não conseguia formar nenhuma resposta que pudesse explicar o que presenciara. Ou o que achara que tinha presenciado. Se dissesse que acabara de ver o que parecia ser o fantasma da pessoa morta da campa à sua frente iriam questionar a sua sanidade mental. E não os julgava, ele próprio a estava a questionar.

- Nada. Já terminaste?
- Sim. Agora é só passar em casa para ir buscar a mala e sigo para casa dos meus pais.
- Queres que te leve?
- Não é preciso, eu vou no meu carro. Além disso disseste que ainda ias ao escritório para entregar aqueles relatórios.
Mentira. Não havia relatórios, apenas a falta de vontade de encarar os sogros.
Despedidas feitas, e com um beijo, eles separam-se.
Mais que depressa sai do cemitério ainda olhando para trás para confirmar que nada de anormal se passava com aquele memorial.
O dia passou lentamente. Desde à muito tempo que não se encontrava assim sozinho e como previra com a noite uma leve chuva começou a cair.
Parou num bar que costumava frequentar, não tantas vezes quanto antes, e tomou uma bebida forte que na sua opinião não passava de água destilada com gelo.
Era em noites como esta que o seu passado mais o atormentava. As memórias manchadas de vermelho e o dia em que tudo começara.
***
Acabara de chegar da escola. A casa silenciosa já era um hábito. Para além do felino que se enroscava às suas pernas não havia mais ninguém para o receber. Os pais deviam estar nos respetivos escritórios e mesmo que estivessem em casa era como se não estivessem.
Um barulho na cozinha acende uma faísca de esperança. Será que afinal os pais estavam em casa?
Mas depressa a alegria se dissipou. Um grito aterrorizador ecoou pela casa fazendo todo o seu corpo estremecer.
- Mãe?
A porta da cozinha estava entreaberta. Aproximou-se devagar e espreitou pela fresta.
Imediatamente lágrimas começam a rolar pela sua face. No chão da divisão o corpo do pai permanecia inerte numa poça de sangue e a sua mãe perdia o resquício de vida que possuía. Noutro canto, um homem que nunca vira permanecia em pé empunhando a faca que tantas vezes a sua mãe usara para fazer o jantar quando se encontrava em casa. Banhada de sangue.
Por momentos tudo na sua mente se tornou branco. E aquela faca de caça que o seu pai mantinha exposta na parede da sala ganhou vida na sua mão e enterrou-se sem remorsos no peito do homem que matara os seus pais.
Quando voltou a si o olhar opaco, quase a desvanecer-se, da sua mãe pousava sobre si e entre todo aquele cenário manchado de vermelho ouviu-se um sussurro:
- Perdoa-me Steve...
                                                            ***
Empinara o copo de uma vez sem se importar com o ardor que marcava caminho pela garganta. As vozes à sua volta pareciam abafadas pelo vento como se viessem de muito longe. Talvez estivesse na hora de ir para casa. Aquela casa vazia repleta de memórias da sua nova vida, da vida que criara para si, e que escondia o que não queria ver.

3 comentários:

  1. Opa, quanto mistério... Tô super curiosa pra saber mais sobre esse passado. E aquele fantasma? Seria uma alucinação? Nossa, dá calafrios..

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  2. Essa história está muito boa
    Esperando a continuação :)

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  3. Obrigado meninas (C.C deitando uma lágrima).

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