24.7.17

Ghost Memory Capitulo 7 por C.C


Capitulo 7

Acordou coberto de suor e com a respiração acelerada como se tivesse corrido a maratona. Não era difícil imaginar qual dos pesadelos tinha tido e odiava admitir que tudo isto se devia àquele maldito fantasma.

"Vindo de alguém que mata pessoas é previsível que nem saiba o que é amar." A frase continuava a repetir-se na sua cabeça mesmo quando evitava pensar no assunto.
"Ele não sabe nada sobre mim...", e mesmo que fosse verdade o facto de que não amava a esposa mantinha-se. Mas isso não queria dizer que não pudesse amar outras pessoas. Apesar de neste momento isso não acontecer, dando-lhe razão.
- Chega! Não adianta ficar a remoer este assunto quando ele nem está mais aqui.

Não podia negar que no inicio pensara em vingar-se quando viu aquele homem no cemitério. Porque é que mesmo sendo um criminoso continuava vivo e feliz e ele que nada fizera de errado acabara morto? Mas com o tempo fora percebendo que para além de ele não ser feliz também não era o tipo de criminoso que julgara. Uma das capacidades dos ditos fantasmas era entrar nos sonhos das pessoas e quanto mais forte fossem os sonhos mais nítidos se tornavam. No caso de Steve os pesadelos que tinha eram quase como hologramas, projeções da realidade. Alguns davam até a sensação de que podiam ser tocados.
É claro que nada justifica tirar a vida de outra pessoa mas  por outro lado passara a perceber um pouco do que o levara a fazer aquilo. Ficara até envergonhado ao descobrir que fora vigiado por tanto tempo e nunca dera por nada.
Só que agora nada disso importava. Cometera o maior erro que podia levado pela sua infantilidade. Se calhar devia voltar para o cemitério, tudo o que lhe restava era mesmo aquela pedra coberta de flores.
- Sabes que a varanda ainda pertence à minha casa.
A voz masculina apanha-o de surpresa. Sim, mesmo tendo sido expulso acabara por se esconder na varanda mas pensava que tinha a sua presença oculta para os humanos vivos. Parece que isso não funciona com a pessoa responsável pela morte.
- E-Eu sei.
- Então eu é que não fui explicito o suficiente?
Não podia contrariar aquela expressão. Restava-lhe apenas permanecer em silêncio e à beira das lágrimas. Sim, um fantasma a chorar. Que patético.
- És mesmo patético. - Dupla facada. - Sabes, quando te vi no cemitério achei que o meu castigo finalmente chegara. Senti até um pouco de paz por acreditar que ia ter descanso. Afinal não só não recebi qualquer tipo de punição como ainda tive de tomar conta de alguém que já está morto. Começo a acreditar que isto é algum tipo de tortura disponibilizada pelo Céu.
- Não é isso! Eu vim porque quis conhecer-te melhor, saber quem eras, porque me mataste e aos outros...
- E já tens a tua resposta?
- Não. Sim. Não sei.
- No que é que ficamos?
- Deixa-me ficar aqui contigo.
- Como é que é?
- Se eu ficar posso descobrir porque quis tanto vir atrás de ti. E quem sabe ia para o Céu.
- Uma semana. Tens uma semana, depois desapareces da minha casa. Entendido? - A resposta vem após alguns segundos de silêncio.
Um sorriso forma-se nos lábios do rapaz. Mesmo que ele acabasse de descobrir a razão pela qual tinha ficado.

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