29.7.17

Ghost Memory Capítulo 8 por C.C


Capitulo 8

Não sabia como caraterizar a situação em que se encontrava. Depois de sabe-se lá quantos dias finalmente recebera um telefonema que dizia mais do que uma conversa entre estranhos. Foi com alguma surpresa que ouvira a mulher a pedir-lhe o divórcio. Já esperava por algo do género mas nunca pensara que ela tivesse realmente coragem de o fazer. Bem, a sogra sempre fora uma cobra venenosa.

- Steve...
Ah, o fantasma choramingas continuava na sua casa. O que não era exatamente mau, pelo menos parára de ter aqueles sonhos que o atormentavam à anos.
A lata de cerveja escorria goticulas de água para a t-shirt que vestira assim que chegara a casa do trabalho.
- Steve!
- O que é?
- Não vais dizer nada? Desde que recebeste aquele telefonema que mal falas. Se te deixou tão abalado porque é que não vais atrás dela?
Um suspiro sonoro faz-se ouvir. Não era como se estivesse deprimido pela história do divórcio, para começar nunca fora uma pessoa conversadora e pela lógica e ciência neste instante encontrava-se a viver sozinho. Se os vizinhos o ouvissem a falar pensariam que estava a ficar maluco. Na verdade alguns deles já achavam isso. Por outro lado não estava preocupado com a maioria dos problemas, podia mesmo dizer-se que estava pouco se lixando.
- Para alguém morto és um gajo muito stressado.
- Peço desculpa se ao contrário de certas pessoas me preocupo. Além disso o combinado era eu ficar aqui para te conhecer melhor mas tu nem sequer olhas para mim!
- Só para saberes, não estou a fazer isso para te provocar. Esta é a minha maneira de ser. E não gosto de pessoas que falam em monólogos.
O rapaz ofendido vira-lhe as costas e vai sentar-se a um canto. "Agora percebo porque é que ela o quer deixar."
O silêncio recai novamente sobre a sala mas desta vez com uma ligeira tensão no ar.
Sendo sincero, Steve sabia o que é que o incomodava naquela situação, para além do fator espiritual. Não sabia se o fantasma já havia percebido mas desde o encontro no cemitério até ao presente nunca, nem uma única vez, dissera o nome dele. Não tinha nenhum motivo em particular mas era como se ao chamá-lo admiti-se uma realidade que apesar de tudo ainda lhe parecia ilusória. E parecendo que não esse simples pormenor fazia diferença na maneira como o tratava. Outra coisa que reparara recentemente era nos olhares que ele lhe mandava. Podiam não significar nada mas também podiam significar muita coisa e o seu instinto normalmente não se enganava.
Soltou um novo suspiro. Quem diria que com aquela idade é que tinha de se armar em ama-seca:
- Vais mesmo ficar aí a amuar?
- Vou!
- Ótimo. Eu vou para a cama, boa noite. - Pousou a lata da cerveja, já vazia à algum tempo, na mesa de centro e encaminhou-se para o quarto.
Era tão dificil conviverem juntos. Como se não bastasse o facto de um estar morto.

3 comentários:

  1. Olá C.C, que conto bacana estou bastante intrigada com a relação desses dois, um tanto quanto previsível que a mulher fosse se separar dele já que a relação era tão monótona, queria muito que houvesse um "lance" entre eles... seria muito legal!

    Ps: O que é ama-seca?

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    Respostas
    1. Olá Gaby. Obrigado por seguires a minha história e peço desculpa por usar termos mais portugueses de Portugal Ahaha Ama-seca é uma maneira irónica de dizer babysitter ^^

      Excluir
  2. Que relação esquisita desses dois kkk Mas estou interessada em saber o que há de mais entre eles.

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