9.7.17

Linden Twins ♫ ♬ Capítulo 59 por Mel Kiryu


Capítulo 59      
     
       O toque era real.
     Syaoran fechou os olhos por um momento a sentir a mão de Huang em seu rosto, vez ou outra um tremor involuntário se apossar dos dedos dele. O que tornava a carícia tão lívida, havia uma fragilidade em Huang que Syaoran não conhecia até então.
     O gesto foi interrompido por uma mulher de baixa estatura trazendo uma refeição, o estalido da porta se abrindo, os passos ruidosos dela como se a sola escorregasse a contra gosto no piso, fizeram ambos voltarem seus olhares desinteressados para ela.

   O contato visual durou segundos.
    A mulher vestida com um uniforme verde água e tendo os cabelos curtos penteados moldados num permanente que se escondia sob uma touca, deixou sobre a mesa ao lado do leito a refeição em embalagem de alumínio, com um talher enrolado num guardanapo e o que parecia ser uma modesta sobremesa numa embalagem ínfima.
    Syaoran seguiu a silhueta atarracada da mulher com o olhar, ela saiu do quarto sem dizer qualquer palavra.
     Por isso, foi facilmente surpreendido pela outra mão de Huang, que mesmo tendo preso nela o cateter, moveu-a brusca a se apossar de seu queixo. Esse pequeno gesto repleto de decisão possessiva fez suas bocas se encontrarem num beijo.
    Huang sugou seus lábios como se estivesse a saborear o gosto da carne macia e rósea, depois mordiscou como se fosse tirar um pequeno pedaço. Essa provocação fez Syaoran abraça-lo com uma vontade descabida, o suporte de metal estremeceu e Huang sentiu uma dor breve e aguda na mão.
     Uma diminuta exclamação de dor escapou de sua boca docemente emaranhada a de Syaoran, tão macia que mais se assemelhava ao gemido.
__Ai!...
__Machucou? Desculpa, Huang...
__Você não percebeu ainda? A dor é intríseca... Existe um limiar muito tênue entre ela e o prazer.
    O sorriso discreto, mas tão carregado de picardia de Huang ainda mesclado a tirania impetuosa de seu olhar tiravam Syaoran do sério, quase fazia-o esquecer que estavam num quarto de hospital.
__E você vai sofrer se faz tanta questão de ficar comigo.__ Huang decretou num sussurro, destituindo seu semblante da intenção de joguete.__ Ainda está em tempo de sair por aquela porta.
__Do que você está falando?__ Syaoran riu, fissurado no rosto do rapaz que abraçava.__ Sofrimento é ficar sem você, Huang... Eu não sairia por aquela porta, nem que me mandasse embora.    
__Mas... Eu ia te abandonar sem remorsos, eu iria morrer se não fosse pelo puto intrometido do Dai.
              Huang praticamente rosnou ao pronunciar o nome de Dai.
        Desviando seu olhar da face de Syaoran com desdém por meros dois segundos.
        Voltando a encara-lo seriamente em seguida.
__Syaoran... Eu não tenho um pingo de amor próprio.
     Era um aviso, Huang bem sabia que não servia para ser amado por ninguém e gostava demais de Syaoran para tentar engana-lo ou deixa-lo preso a alguma ilusão, já que tragicamente havia sobrevivido.
    E por sua vez, abduzido pelo expressão séria e incisiva de Huang, deixou aquelas palavras penetrar em seu íntimo e Syaoran sorriu a percorrer com a mão numa carícia pela lateral do rosto dele, sentindo uma mecha solta esbarrar de levinho em seus dedos.
__Tudo bem, Huang... Eu já tenho o amor que baste a nós dois.
__Seu grande e... Adorável idiota...__ Huang refilou, num sorriso breve que tremulou como água.__ Isso quer dizer que vai voltar comigo para Kuan?
__E ainda pergunta, Huang? Seu lugar é meu lugar... Já devia saber.__ Syaoran declarou num sussurro cúmplice e por demais carinhoso.

     Huang tinha ganas de ser mau, mas não podia.
     Não conseguia e se odiava por estar tocado pelas palavras amorosas e verdadeiras de Syaoran.
     Tinha deixado seu amor desnudo na carta que escrevera para Syaoran, amor este que Huang transformava antes em provocação, um joguete psicológico friamente traçado em sua mente, tudo para não demonstrar o que realmente sentia por Syaoran.
     Considerava fraqueza se apegar ao o que quer que fosse.
     Por isso, Huang tentara se afastar de seu pai e mais ainda desesperadamente de seu irmão.
     Preferia odiar do que amar, então começava primeiro a odiar tudo o que não gostava em si mesmo, depois odiava tudo que Jiang tinha e jamais poderia ter.
     O mesmo fazia para cultivar o desprezo, para alcançar a meta de ser o permanente avesso de seu irmão.
     O permanente avesso que se chocava contra tudo o que seu irmão gêmeo representava.
   
      No entanto, naquele instante, deixou um de seus braços desabar ao lado de seu corpo, um gesto secreto de momentânea rendição.
     E a outra mão que se segurou em Syaoran, era como um apelo silencioso difícil de interpretar.
     Recostou-se bem junto dele sentindo o braço se Syaoran passar protetor por suas costas e Huang beijou-lhe o queixo.
      Antes, escolhia sentir-se só.
      A indiferença, o isolamento eram seu esconderijo.
      A sensação de desamparo era como um abraço vazio de calor onde se aconchegava feito ninho.
      Contudo, era  a primeira vez que estava o mais próximo que podia de quem amava e a solidão ainda parecia separa-lo, aparta-lo de tudo em volta contra sua vontade.
     Que sensação horrível era não estar no controle da própria solidão.
     Não controlar a dor que antes podia dosar.
   
     Dosar até transbordar, até tornar-se insuportável.
   
       

3 comentários:

  1. Huang, seu lindo ♡ Quanto mais eu leio, mas gosto dele. E como não se deixar tocar pela doçura de Syaoran... Em algum momento ele não resistiria mais...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foi o que eu disse para a Rima mais cedo, esse é o Huang sem a máscara de sua agressividade.

      Excluir

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...