20.7.17

Sight of Sea II Catch Me! If You Can… por Kisu


Catch Me! If You Can…
Prólogo I - March of The Beginning

- Uau! O tamanho é muito diferente, mas a tonalidade da cor está idêntica à de Kyle! - Aaron proferiu analisando minhas madeixas já secas em que começou a passar as mãos.
- Percebi, alguns piratas me interceptaram no caminho pensando que eu fosse o Kyle - fingi um sorriso alegre tentando disfarçar o desolo. O Kyle era orgulhoso demais para deixar que usassem seu nome a bel prazer e eu almejava atrai-lo assim, mas no fundo não pretendia tomar o lugar dele. - O que houve que veio me encontrar?
- Fiquei entediado e decidi vir. Ei, vamos ao cais para que se olhe nas águas - propôs animado.
- Já me vi no reflexo do painel de uma das lojas - menti. - A propósito, disse que me apresentaria uma pessoa hoje para me ajudar a arrumar uma tripulação. É verdade? - ele cessou o sorriso na mesma hora e começou a remexer desconcertado nas madeixas morenas.

- Sim… - disse aparentando ansiedade e um certo receio. - Só há um probleminha. Soube que essa pessoa abandonou o ofício da pirataria e não pretende voltar, se a convencer do contrário, será um baita de um felizardo.
- E por que alguém deixaria de ser pirata se pode obter tesouros e mulheres? Não custa tentar fazê-lo mudar de ideia, mesmo porque usando o nome do Kyle será fácil abordar os navios mercantis e rende-los sem lutar.
Relutante, Aaron nos conduziu a um dos bordeis não muito distante do cais. Estava um movimento frenético ainda que o sol raiasse alto e forte no céu. O ambiente estava preenchido por risadas e conversas altas, o cheiro de álcool impregnava as narinas por conta das canecas de rum que não faltavam na mão de nenhum pirata e as meretrizes sentavam quase nuas nos colos de seus fregueses.
Entramos no local e fomos até uma mesas das mais afastadas na lateral do estabelecimento, onde estavam sentados dois rapazes, um deles com o rosto parcialmente oculto pelo chapéu de abas longas, mas que aparentava ser muito mais jovem que seu comparsa.
- Soube que os piratas mais talentosos dessas bandas largaram as espadas com medo do cerco do atual rei de Viers - disse me sentando na única cadeira vaga da mesa. Aaron observava da banqueta do bar, balançando a cabeça em sinal de negação e não entendi o motivo.
- Hã?! Quem tu pensas que é comprando briga, garoto? - uma mão agarrou rapidamente a gola de minha camisa seguida de uma voz feminina que soava rouca e cuja dona exalava um forte cheiro de álcool. Era uma mulher!
- Madame, não desejo encrenca. Gostaria que seu companheiro revisse a decisão de se aposentar e se juntasse a mim em uma nova tripulação.
- O marica do Gale? - disse parecendo cambalear, mas ainda sem afrouxar os dedos de minha camisa enquanto chegava seu rosto perto, me analisando. Era jovem, tinha poucas manchas de sol nas bochechas, cabelos curtos castanhos e olhos cor de mel - Imprestável, desde quando você está decidindo algo? - perguntou por sobre o ombro para o companheiro.
- Eu? Mas quem manda é você, meu tesouro - respondeu bem desinteressado para qualquer coisa que não fosse a bebida que já levava à boca, tomando uma boa golada.
- Ouviu, garoto? Agora se manda se não quiser tomar sopa pro resto da vida - retrucou me empurrando bruta para o lado e tornando a se sentar e já a encher a caneca antes de colocar os pés na mesa ao se sentar largada.
Ela usava calças bem justas e um camisão branco demasiadamente folgado para seu corpo frágil ao passo que o moreno de nome Gale trajava camisas sem manga, mostrando os braços bem definidos e uma tatuagem grande de caveira.
- Pois eu não saio daqui sem um sim - esbravejei metendo as mãos abertas na mesa.
A mulher cerrou o cenho e jogou a bebida do copo em mim, mas não ousei recuar. Precisava daqueles dois e teria de convencer a jovem para ter algum resultado, afinal, ela dera a entender ser a porta voz da razão.
Compreendi tanto quanto os demais piratas - ou seja, nada! -  que calaram a boca do nada quando a jovem começou a gargalhar como se tivesse visto o ser mais esdrúxulo em toda a sua vida. Lágrimas escorriam de seus olhos de tanto rir. Ela estava bêbada até a alma.
No que ela parou de rir, por um triz não perco a mão. Mal tive tempo de retirar o membro da mesa antes da garota fincar a faca no nó da madeira velha. Ela não deu tempo para que ninguém reagisse e logo me deu um chute que me mandou para o tampo da mesa vizinha.
Ela sacou suas duas espadas no que eu ainda tentava me localizar antes de perceber que tinha que sacar minha espada naquele momento. Nem um minuto a mais ou a menos!
Consegui amparar por pouco o próximo golpe usando o impacto para rolar para fora da mesa e me levantar para ter melhor movimentação.
A jovem cambaleava, mas seus movimentos eram precisos, rápidos e certeiros, dificultando minha defesa e por vezes me cortando de leve no tórax ou nos braços.
Empurrei uma das cadeiras em na direção dela, mas isso apenas serviu para irritá-la mais. Seus olhos reluziam em um profundo rio de ira, afiados como navalhas e completamente focados como se não importasse a concentração de álcool na corrente sanguínea.
Nossas lâminas se chocavam provocando um chiado agudo e metálico, tentei dar-lhe uma rasteira, mas ela saltou e me chutou com força na boca do estômago.
Estirado no chão segurando a barriga, sabia que tinha que me levantar, forçava meu corpo para cima, mas dificilmente conseguiria me defender do próximo ataque que já vinha, mas de repente ela parou.
Espadas em punho, posição corporal, face inexpressiva, mas completamente imóvel.
Ela soltou ambas as espadas e caminhou até o pirata mais próximo, que praticamente tremia até as bases, e tomando-lhe o chapéu, afundou a cabeça no tecido provocando um som alto e gosmento de líquido sendo expelido enquanto vomitava sem parar.
Nessa hora, Aaron me agarrou pelo braço e saímos em disparada, caminhando o mais rápido que meu corpo permitia, aproveitando o tumulto que tomava proporções maiores. Um gritando pelo chapéu, copos quebrando, reclamações e gritos em razão dos danos do estabelecimento logo seguidos de pancadaria.
Não seria nada bom estar por perto quando tudo se acalmasse, pensei.

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