2.8.17

Devalli Demons Capítulo 48 por Golden Moon


Capítulo 48

       Às sete da noite todos estávamos prontos para recebermos nossos convidados. Sentamo-nos à sala, olhávamos uns para os outros, como se não soubéssemos o que dizer ou expressar a ansiedade em palavras. Porém, os gestos muito diziam. Meu pai enrolava o bigode entre os dedos e Jasmim balançava as pernas, fazendo seu vestido leve de seda branca farfalhar.


       Eu me mantinha junto a Arthur, que estava sentado quieto ao meu lado, sem fazer qualquer barulho, enquanto a família Seymour permanecia do outro lado da sala, também um tanto inquieta. Os Sr.Seymour continuava com seu filho querido no colo, balançando-o em suas pernas, pedia-o que se comportasse quando os convidados chegassem e garoto aquiescia, como se as palavras de seu pai tivessem um efeito hipnotizador. A Sra. Seymour se portava como uma princesa que aguardava a carruagem, enrolando seus cachos soltos nos ombros e de pernas cruzadas, indiferente a tudo e a todos, senão seu mundinho particular.

       Não demorou muito e nós ouvimos a porteira ser aberta e o som das rodas sobre o chão de terra do quintal. Todos se levantaram automaticamente, seguindo para a varanda, sem muito alarde, para não demonstrar muito de nossa ansiedade aos convidados.  Jasmim e Jim seguiram a frente pela escada, seguidos da família Seymour e Eu e Arthy atrás, mas eu logo me adiantei a fica junto dos meus pais.

       A luxuosa carruagem preta parou a poucos metros da escada. Ivan foi o primeiro a descer, vestido elegantemente de um fraque preto, logo estendeu a mão para que sua esposa descesse da carruagem, exibindo a elegância e brilho particulares de Elizabeth. Vestia-se com um estonteante vestido azul marinho, com detalhes em pedrarias que brilhavam vagamente sob a luz da lua. Muito educado, Ivan ofereceu o braço à esposa, e logo já andavam ao nosso encontro, enquanto os rapazes desciam da carruagem.

        Louis e Philippe não destoavam do elegante casal, mas suas similitudes se acentuaram ao se apresentarem, os dois, de cabelos amarrados e sobretudos pretos. Philippe parecia mais uma cópia jovem e muito bem feita do irmão mais velho. Vieram logo atrás do casal.

         Meu pai e Erin observavam Elizabeth de cima a baixo, como se ela fosse uma exuberante peça de um museu, com seus cachos negros escorregando pelo busto e o sorriso de orelha a orelha. Sempre odiei essa mania estranha de observar as mulheres bonitas, eu me sentiria constrangido no lugar delas, mas Elizabeth com certeza se divertiria com aquilo.

      Meu pai, como sempre muito afoito e pretensioso, adiantou o passo para ficar frente à frente de nossos convidados. Eu e os outros esperamos atrás, para sermos devidamente apresentados.

– Boa noite, amigos.

– Boa noite, Sr. Sullivan. – respondeu Ivan, suavemente educado. – esta é minha esposa, Elizabeth Lunghen

– Prazer em conhecê-lo, Sr. Sullivan. – ela estendeu a mão que logo foi beijada pelo meu pai.

Os meninos foram apresentados como primos de Elizabeth e desculparam-se por sua mãe, que disseram ter sido acometida por uma forte dor de cabeça. O que eu realmente eu acreditei que era mentira, aquela senhora não parecia gostar de ambientes muito sociáveis.

Meu pai logo apresentou sua esposa e filhos e, quando Elizabeth sorriu ternamente para mim, ela não se inibiu em elogiar-me.

– Seu filho é um verdadeiro lorde, Sr. Sullivan.

– Obrigada, Elizabeth – curvei-me para beijar a sua mão, ciente que aquele elogio não era apenas por minha educação. Toda a minha família me observava de um jeito estranho, como se estivessem perplexos. Apenas meu pai parecia satisfeito. Os irmãos, atrás do casal, riam cinicamente.

Quando chegou a vez da família Seymour, Erin não pareceu – pelo menos para mim – estranhar o exagerado interesse de Ivan por ele ao cumprimentá-lo. Na verdade, admirou-se pelos elogios, demonstrando imensa gratidão. Os elogios se estenderam até mesmo a Gilbert, que permanecia quieto como um anjo.

Meu irmão, em uma atitude que jamais observei nele, soltou-se inesperadamente das minhas mãos e procurou ficar à frente de Elizabeth, seus olhinhos azuis brilhavam de curiosidade. Sem se incomodar nem um pouco com ele, Elizabeth agachou graciosamente para cumprimentá-lo, e eu logo percebi a inquietação de Jasmim preocupada com o que seu filho poderia dizer. Ela apenas olhava fixamente para a cena, pronta para agir em qualquer caso.

– Você é linda! – ele sorriu para a bela moça e abriu os braços para abraçá-la.

– Sra. Lunghen, filho – disse minha mãe, nervosa, mas um pouco menos tensa.

– Você também é lindo, mocinho, obrigada – ela respondeu o abraço, devolvendo o sorriso – Tudo bem, Sra. Sullivan.

O grupo riu das gracinhas de Arthur que, novamente de forma inesperada, agarrou a mão de Elizabeth, para acompanhá-la. Logo subíamos as escadas, os homens em grupo atrás, conversando sobre qualquer assunto banal para mim; as mulheres e crianças à frente, minha mãe e tia a indagarem sobre o vestido de Elizabeth; e eu junto a Philippe, um pouco distantes dos outros, observando-os.

– Esse pequeno é quase uma cópia sua.

– Olha quem fala – empurrei-o levemente com o cotovelo – você e Louis parecem gêmeos. Ainda mais vestidos do mesmo jeito.

Rimos juntos, alcançando a varanda da casa. O grupo inteiro se acomodou em nossa sala de estar, que não parecia nem um pouco pequena para nove adultos, já que as crianças se retiraram para os quartos com as babás. Os casais sentaram-se unidos e eu, Philippe e Louis ficamos os três juntos, no mesmo sofá.

– Ficamos extremamente honrados em recebê-los. – começou meu pai, a voz mais altiva do que o normal.

Ivan sorriu, encarando-o com firmeza. Seu olhar castanho não parecia frio, mas causava-me certo medo.

– Nós que ficamos honrados, Jim. Além disso, desde que chegamos a esta cidade ficamos curiosos com a historia do Sr. Seymour.

Elizabeth virou-se instantaneamente para o marido, sorrindo, como se aprovasse a sua colocação.

– Quer nos dizer que o caso corre também em sua cidade? – disse minha mãe, sua voz soando longe, maravilhada.

– Claro, Sra. Sullivan – respondeu Louis, retirando suas luvas – toda nossa cidade já ouviu a historia.

– Isso é ótimo! – exclamou ela, unindo suas mãos sobre o peito.

– Considerem-se convidados ao nosso baile. – inquiriu Erin, a voz altiva e o modo como ajeitava o laço da gravata denotavam seu orgulho por aquele imenso baile. – toda a minha família e amigos estarão lá, quero que vocês compareçam.

– Será um prazer – respondeu Elizabeth.

– Virão até mesmo parentes de fora, não é tio? – indaguei, pretendendo ajudá-los.

– Sim, com certeza.

– Principalmente da capital – complementou Lilian como se o fato de possuir alguns parentes na capital fosse algo extremamente importante.

– Ah! – exclamou Elizabeth – os meus primos também possuem parentes na capital. De qual área são os seus?

Os irmãos D’Greece observaram Elizabeth de lado, como se sua pergunta fosse um desafio. Eu apenas tentava entender o que se passava ali, onde aquela conversa chegaria.

– São do leste, minha senhora. – respondeu Erin, tranquilamente.

– Ah, os meus são do norte. – Louis meneou a cabeça, fingindo-se de cabisbaixo.

– Área nobre. – minha tia arqueou uma de suas sobrancelhas, lançando seu olhar sobre Louis. Cruzou suas pernas, insinuante.

– A família pretende passar muito tempo por aqui? – indagou meu pai, pondo fim ao assunto anterior.

– Ainda não sabemos... – divagou Ivan, coçando sua barba. – os rapazes ficarão mais tempo do que nós, tanto que Philippe já está na escola.

– Talvez mais duas semanas... – completou Elizabeth.

– Uma pena, poderíamos nos ver mais... – disse minha mãe, sua voz soou um lamento que me pareceu sincero.

– Não se preocupe, estaremos mais vezes aqui. – disse Ivan, enquanto agarrava a mão de sua esposa, ternamente.

Elizabeth voltou seu olhar para o marido, o brilho estampado em seus belos olhos negros.

– Sim... Ainda mais que nossos queridos primos estão por aqui.

– Gosto de ouvir isso, Elizabeth – disse Louis, sorrindo.

– Nós também passaríamos apenas uma temporada, mas Erin gostou muito da cidade. – Lilian falou desinteressadamente, mas seu marido a observou com firmeza, o que não a intimidou. A tensão era evidente nas rugas que surgiam em seu rosto.

– Gosto dos ares desta cidade – ele ajeitou o laço da gravata novamente – Além de que tive bons momentos por aqui.

– E como são bons, Sr. Seymour – Ivan sorriu para meu tio, assim que terminou a sua frase.

Suspirei, pensando no quão entediante estava aquela conversa. Pensei em perguntar algo a Philippe sobre o plano deles, mas eu não podia dar qualquer palavra sobre aquele assunto entre tantos presentes. Não entendia o propósito de tudo aquilo, nem se os Devalli conseguiram arrancar alguma informação útil durante aquela conversa. Tudo parecia nublado para mim, mas tentei me acalmar, afinal, tínhamos uma noite inteira pela frente.

2 comentários:

  1. Essa noite... apesar de parecer "nublada " para o William parece estar a correr bem, espero que continue desse jeito!

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    Respostas
    1. Aqui é a Moon (meu segundo perfil, Rima-san) *♡*
      Ele vai entender melhor o que está acontecendo pouco depois... Pode parecer entediante, mas os Devalli estão aproveitando muito dessa conversa.

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