6.8.17

Devalli Demons Capítulo 49 por Golden Moon


Capítulo 49

Nancy surgiu discretamente na sala, anunciando que o jantar estava servido. Levantamos-nos e, enquanto caminhávamos para a sala de jantar, Philippe encostou-se a mim e sussurrou bem perto de minha orelha,

– Alguém aqui não sabe disfarçar o interesse – ele apontou o queixo para Lílian, que andava de braços dados ao sue marido, enquanto lançava olhares furtivos para Louis, este caminhava tranqüilo ao nosso lado.


– Eu percebi – meneei a cabeça, desaprovando a atitude dela.

– Ela provavelmente é mais velha que meu irmão. – continuou a sussurrar e eu percebi que ele apertava os olhos, como se pensasse milhares de formas de trucidar Lilian somente em seu olhar caramelado.

Ri de sua expressão, achando graça de seu ciúme.

– Não acho que ela se importaria.

Finalmente chegamos à sala e a mesa estava completamente posta, cheia de iguarias as quais víamos apenas em épocas festivas. Sentamos à mesa, os homens puxando às cadeiras para suas esposas e sentando-se logo depois. Tudo como mandava o ‘figurino’. Meu pai, tio, Ivan e Louis finalmente começaram a falar sobre assuntos de interesse deles, enfim, negócios, e a conversa parecia bastante cordial. Eu continuava a pensar se aquilo era efetivamente benéfico para os devalli, sentia-me entediado e uma frustração apossando-me de mim, que antes estava tão animado para este jantar. Procurava algum meio de ajudá-los, mas ficava com medo de por todos eles em risco por conta da minha ansiedade.

Philippe estava ao meu lado, comendo sua refeição como um passarinho, em uma delicadeza que eu estranhava naquela família.

– O que foi, Will? – perguntou ele, adivinhando minha inquietação. Sua voz estava um pouco abafada pelas vozes altas dos homens À mesa.

– Posso conversar contigo depois na varanda? – murmurei, sabendo que, mesmo naquele barulho, ele poderia me ouvir bem.

– Claro... – aquiesceu, mas riu logo depois – isso é tão cômico.

– Eu sei – divaguei, sem olhar para ele – não sei como vocês conseguem.

– É muito fácil. – quando finalmente consegui direcionar meu olhar para ele, os olhos amendoados de Philippe me observavam brilhante e seus lábios pareciam hesitar um sorriso. Parecia querer segredar-me alguma coisa.

– O que quer me dizer?

– Espere até lá. – murmurei e logo voltei à minha refeição, para não chamar muita atenção dos outros.

– O que os mocinhos tanto cochicham aí?

A voz suave de Louis surgiu ao lado de Philippe e eu senti os pêlos de todo o meu corpo eriçar no mesmo instante.

– Nada, meu irmão. – respondeu o menor, calmamente, sem se assustar com a interrupção do outro. Talvez já estivesse acostumado.

O “rabo de olho” no olhar de Louis apenas confirmava que ele não estava convencido com aquela resposta desinteressada de Philippe. Voltou a conversar com seus “compadres”, mas frequentemente voltava sua atenção para mim e seu irmão que ficamos calados após a sua intervenção.

Depois da sobremesa, eles se empoleiraram novamente na sala, a tomarem um café fresco. Chamei Philippe e saímos de fininho. Chegando à varanda, procurei contornar a casa ao máximo, para que ficássemos o mais longe o possível das paredes da sala.

Encostei-me a parede e Philippe apoiou-se na cerca da varanda, bem à minha frente, observava-me sem nenhum pingo de tensão em seu rosto.

Cruzou os braços, esperando que eu começasse a falar.

– Eu sei que você não se envolve, mas... O que é isso tudo?

– Olha... – saiu de sua posição e encostou-se ao meu lado, ainda de braços cruzados – Nós, na verdade, eles estão à procura de pistas sobre os territórios atuais deles. E, bem...

Ele hesitou terminar a frase.

– Você querem fazer frente, é isso? – indaguei, sentindo-me um pouco mais excitado com a história.

– Sim, eu acho.. – ele baixou os olhos, como se pensasse nos horrores que estavam por vir.

– Todas as pistas estavam certas...

Aquela voz suave, mas assustadora, surgiu junto aos sons dos passos lentos de Louis sobre o assoalho do piso de madeira. Saltitei, de tamanho susto, segurando o braço de Philippe instantaneamente, e ele começou a rir da minha reação.

Louis parou à nossa frente, imponente. Os seus olhos amendoados pareciam ter um brilho próprio.

– Não é uma frente, William. É defesa.

Aquiesci, compreendendo bem suas palavras.

– É por isso, também, que vocês querem ficar por aqui? – continuei sem me importar se minhas perguntas invadiam os planos de sua família.

– Claro. Dylan, apesar de forte, precisa do nosso apoio. – ele encostou-se ao irmão, passando o braço sobre os ombros de Philippe.

– Certo... E aqui? Conseguiram alguma coisa?

– Ele não é burro. – seu olhar congelou em mim por um instante, mas logo fugiu a contemplar a noite estrelada.

– Até parecia que ele sabia sobre nós... – divagou Philippe, mais para si mesmo do que para nós.

– A localização parece verdadeira. São muitos domínios na capital, mas a leste não é muito bem conhecida.

Voltei meu olhar para ele e, como se adivinhasse minha dúvida, Louis olhou para mim também.

– Vocês não sabiam?...

– Até agora, não. Mas podemos checar a informação.

 – Você vai viajar, Louis? – perguntou Philippe. Seu tom distanciava-se do seu jeito de sempre.

– Não, Lippe. – eu notei que as mãos de Louis tornaram-se mais firmes sobre o ombro do irmão, como se tentasse lhe confortar de algum mal invisível. – Esqueceu-se dos nossos parentes da área nobre?

A ironia estampada em sua voz foi tamanha que tornou-se impossível não rir.

– Desculpe-me por isso, Louis. – falei, baixando os olhos. Fiquei extremamente envergonhado em ver aquilo, mas Louis e Philippe apenas riram da situação.

– Não se preocupe, Will.

Philippe olhou bem para mim e seu irmão atrás de si, observava a floresta, já apresentando seu semblante sério.

– Meu irmão está acostumado com isso, não é Loui? – ele virou a cabeça, mas o irmão continuava compenetrado na floresta, como uma fera à espreita de sua presa.

De repente, uma criatura peluda pulou sobre a cerca da varanda e, quando abriu os olhos, um vermelho faiscante insurgiu em seus olhos, diferente do dourado estonteante e doce de seu olhar. Se não fosse por sua coleira em dourado eu não reconheceria que era a Isis.

Philippe acompanhou com o olhar seu irmão andar vagarosamente em direção à floresta, enquanto Isis virou-se igualmente para a mata, os pelos eriçando enquanto seu corpo pequeno envergava-se, semelhante a um gato bravo. O sibilar alto da gata poderia me fazer desmanchar a figura fofa que eu tinha dela.

– Eu vou ter de ir.

Louis se segurou à cerca, mas sentiu seu corpo estacar quando Philippe em um ímpeto de segurou-o pelo braço.

– Louis... – eu ouvi o murmúrio dele, a voz tristonha denotava o quanto doía ver seu irmão naquela sina.

Louis virou apenas a cabeça e seus olhos dourados demonstravam toda sua inflexibilidade.

–  Eu vou voltar. Prometo.

Chifres encurvados começaram a surgir sobre os cabelos muito escuros de Louis e seus olhos dourados transformavam-se em um vermelho escarlate e amedrontador. O corpo de Louis começou a sumir, como fumaça e, assim que seu corpo "evaporou" de nossa frente, Philippe projetou-se para frente, como se não tivesse forças para sustentar-se em pé.

Rápido, me movimentei a segura-lo pelos braços e, quando me coloquei à frente dele, uma face sombria encobria o semblante sempre tão divertido de Philippe.  Ele agarrou os meus braços e, sua cabeça tombou para o meu ombro.

– Eu sempre tenho medo que ele não cumpra a promessa.

2 comentários:

  1. Quando comecei a ler esse capitulo a ideia que tive é que talvez o Louis e o Phillipe tivessem uma relação para alem de irmaos
    O Philipe como irmao ou algo mais é normal preocupar se com o Louis (mas osso duro é dificil de roer por isso nao lhe vai acontecer nada)

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  2. Bem.. Rima-san xD, eles têm uma ligação muito forte... Mas se há algo mais deixo no ar kkkkkkk (Confesso que já peguei shippando os dois.)
    Louis é como um pai protetor e Philippe se agarra nessa posição do irmão.. Um tem muito medo de perder o outro :-\

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