6.8.17

Ghost Memory Capitulo 10 por C.C Final


Capitulo 10

Despedia-se da ex-mulher com um abraço em frente à sede da conservatória. Agora que os papéis do divórcio haviam sido assinados um capitulo da sua vida fora encerrado. Claro que não era preciso ter levado o novo namorado para lhe esfregar na tromba que lhe tinha metido os cornos antes de decidir que já não era feliz a seu lado. Pelo menos livrara-se dos jantares de familia que apenas serviam para humilhá-lo em frente aos restantes membros.

Os últimos tempos não tinham sido fáceis com todas as mudanças e o trabalho. Mesmo amigável um processo de divórcio era algo desgastante. Especialmente quando a ex-sogra, graças a Deus, gostava de se meter em tudo e andar sempre a conspirar contra o genro. "Maldita cobra venenosa quase me fez perder a casa."
Já que tirara o dia para resolver as suas coisas e não lhe apetecia enfiar-se em casa decidiu caminhar pelas ruas da cidade que se encontravam estagnadas nestas horas. Como se o tempo parásse até à hora do desfile de aberrações começar com a ida das pessoas para casa. Apesar de ter passado a maior parte do tempo sozinho no fundo não se sentia solitário. Isso era algo que não conseguia compreender. Sabia que tinha estado sozinho mas as suas memórias andavam tão confusas que por alguma razão achava que não era esse o caso. Como se um vulto assombrasse a sua mente. Quem o ouvisse pensaria até que o stress da separação lhe mexera com o cérebro. Um homem de trinta anos a falar de assombrações...

Será que as mulheres não conseguem entender quando estão a ser inconvenientes? Convidar o ex-marido para o casamento, um ano depois, com o homem com quem o traiu é um bocado demais. E o mais idiota é que Steve tinha mesmo ido. Encontrava-se sentado perto dos malditos altares que a maldita ex-sogra insistia em ter no jardim enquanto os restantes convidados se divertiam com o corte do bolo. Também para a cara de zombie que tinha ficava melhor ao lado dos mortos mesmo.
Já fazia algum tempo que não tinha aquelas vontades obscuras mas se neste momento tivesse uma faca em mãos era bem capaz de esfaquear alguém.
Um suspiro pesado abandona o seu corpo e sem ninguém dar por isso sai da festa.
Apanhou um táxi que partilhou com outra senhora e como o destino dela ficava fora de caminho ofereceu-se para sair antes da sua morada e fazer o resto do percurso a pé. Caminhar tornara-se um bom exercicio para afastar maus pensamentos.
Não sabia porquê mas por norma evitava o caminho que passava perto do cemitério mas naquele dia decidiu passar por lá. Tal como decidiu entrar. O movimento era calmo e reinava uma sensação de paz que há muito não sentia. Para ele cemitérios só tinham a oferecer rancor e mágoa.
Satisfeito com o seu passeio, que nem percebia o porquê de ser ali, Steve dá meia volta a fim de se dirigir novamente para casa quando algo se abate sobre ele. Uma tristeza e solidão tão grandes que quase o fazem cair de joelhos.
Não parecia dificil descobrir de onde vinham tais sentimentos. A campa coberta de flores era visivel da ponta do corredor onde se encontrava.
Um dejá-vu invade a sua mente. Aquela campa mostrava-se estranhamente familiar mas era impossivel, não tinha ninguém enterrado naquele cemitério.
À medida que se aproximava sentia o seu coração a acelerar como se anticipasse alguma coisa. Não conseguia explicar mas no fundo uma voz dizia-lhe que o que ia encontrar preencheria as lacunas da sua memória.
Ao inicio não notou nada de diferente e a verdade que procurava não veio mas ao voltar a afastar-se apercebeu-se de que havia uma espécie de corrente pousada sobre a pedra e escondida pelas flores. Tal não foi a sua surpresa quando reparou que numa das pontas da corrente se encontrava uma pessoa.
- Desculpe...
O que se passou a seguir foi algo que ainda hoje Steve não consegue explicar.
Assim que ouviu aquela voz o olhar do rapaz preso focou-se no homem que tão bem conhecia e que era a razão de se ter amarrado ali.
- S-Steve.
Um flash de memórias dispara na sua cabeça atordoando-o por completo. O encontro naquele mesmo cemitério, a ida para casa dele, as discussões, as gargalhadas, os sonhos, as mortes. Tudo voltou de uma vez como uma bomba a explodir num local fechado. E perdida nessas memórias a conversa com a sua segunda personalidade e a última sentença dele antes de o deixar para trás e amnésico: "Mas eu gosto dele".
- Nem consigo acreditar.
- Steve...
- Então tu é que eras a causa deste vazio que me tem atormentado. Até no fim de morto me conseguiste conquistar.
- EU GOSTO DE TI!!! Desculpa mas é a verdade e eu não queria que sofresses e mexi no teu sonho e tu ficaste mal e ele disse-me que era melhor assim mas eu tinha tanta vontade de te ver que tive de me acorrentar para não ter a tentação de ir ao teu encontro e... O que é que disseste?
Steve solta uma gargalhada que ecoa por todo o lugar. Pela primeira vez via-o a rir e o próprio já não se lembrava da última vez que rira daquela maneira.
Com um gesto de mão o ex-assassino chama o fantasma para perto de si e assim que fica ao seu alcance dá-lhe um beijo. Um beijo simples que traduz os sentimentos de ambos, ingénuos.
- Obrigado Levi.
Não sabia dizer se a sua cara estava vermelha pelo beijo ou por ser chamado pela primeira vez pelo seu nome. Fosse qual fosse a razão depressa foi esquecida.
A meio de todo aquele turbilhão de emoções o seu corpo começou a brilhar e a tornar-se transparente.
- Oh não, agora não. Porquê? Steve eu, eu não quero desaparecer! - Levi agarra a mão do homem como se isso o impedisse de sair dali.
- Levi, não disseste que te tinhas acorrentado para não ires atrás de mim? Agora estás livre, podes perseguir-me até onde quiseres.
E com as lágrimas nos olhos o fantasma desapareceu num feixe de luz perante o seu assassino.
Afinal o castigo que sempre desejara que viesse só agora estava para começar.

Fim

Um comentário:

  1. Socorro, essa estória tem um enredo muito bom! Queria saber mais sobre o passado de Steve e a relação dele com Levi, serio, muita coisa legal pra desenvolver. Fiquei com gostinho de quero mais :p

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