12.8.17

Red District This Side of the Moon 5 por C.C & Mel Kiryu

   
Essa é a imagem que representa o Jin que esqueci de colocar no capítulo 3.

    Capítulo 5 por C.C

           Não era preciso ser muito inteligente para perceber que o meu humor estava de cortar à faca. E como já me conheciam e sabiam o que acontecia quando andava assim a maioria dos funcionários do host nem sequer tentava aproximar-se de mim. Logo encontrava-me sozinho no meu escritório deitado sobre o sofá e a apodrecer enquanto a imensidão de pensamentos me consumia em câmara lenta.
Ainda podia sentir a pele suave na palna da minha mão. Não sei o que me deu, sabia que não estava no direito de exigir o que quer que fosse daquele rapaz que acabara de conhecer, sabia o tipo de trabalho que fazia e claro que sabia tudo o que isso implicava e especialmente o tipo de clientes que procuravam aqueles serviços. Infelizmente em outros tempos tive o desprazer de conhecer esse lado das coisas, uma das razões pelas quais sou tão rigido com as regras do clube. Seja como for sou consciente de que fui longe demais.

Agora estando mais calmo percebo também que podia ter-lhe arranjado problemas sérios se por acaso tivesse deixado alguma ferida no seu rosto. Só o facto de ter convidado os dois a entrar pode ser um problema. Por muito discretos que fossem tenho conhecimento da animosidade que as restantes lojas têm comigo e a Houkan House não é exceção.
Suspirei colocando a mão sobre os olhos. Não posso negar que antes de me aperceber do hematoma o meu olhar analisava-o apenas com pura curiosidade. Assim que Mifan disse que precisava de ir ao toalete e ficamos sozinhos toda a posição desafiadora dele desmoronou e pude ver como de repente parecia ficar ainda mais consciente da minha presença. Não se apercebeu do meu pequeno sorriso pois baixou logo a cabeça como um cachorrinho abandonado num lugar desconhecido. Os cabelos longos e os olhos verdes davam-lhe um ar exótico e sensual que seria um dos fatores para o terem acolhido naquele lugar. Lidava com o mesmo tipo de clientes e como tal conhecia os fetiches que a maioria tem. De qualquer forma não quis julgar ou fazer perguntas pois apesar de ser contra o modo de vida deles sei que a maior parte não tem outra escolha. Não conhecem outra realidade. Foi então que vi a mancha arroxeada.
É claro que podia ter sido feita de mil e uma maneiras mas naquele momento e contexto apenas uma me veio à mente e apesar de ter dito a mim próprio que não questionaria perguntei com uma ponta de inocência fingida se se tinha magoado a ajudar o Jin. Negou e timidamente respondeu que o tinha feito a trabalhar. Não pude evitar, o meu sangue começou a ferver assim que tive a confirmação do que suspeitava. Voltei a perguntar e quantas mais respostas censuradas e envergonhadas recebia mais a minha fúria parecia querer explodir. Quando finalmente decidi colocar a questão que levou a toda esta confusão e remorso foi como se tivesse levado um murro no estômago. Sim, tinha reparado na beleza e aparente juventude de Lawrence mas por experiência sei que há pessoas mais velhas que conseguem manter um aspeto jovem e passar por mais novas. Mas ao ouvir a palavra "dezanove" tive ânsias de esmurrar alguma coisa.
Sei que dei a entender que sentia repulsa e ódio dele ao desferir-lhe aquele bofetada mas para mim foi como uma tentativa de lhe abrir os olhos, de perceber que o que fazia estava errado e que não devia sujeitar-se a tudo aquilo só por nunca ter conhecido outra versão da vida. Vender-se, fazer sexo em troca de violência. Ele ainda era uma criança...
- Não, a criança sou eu. Ele é bem mais adulto que eu.
Levantei-me ao escutar uma batida na porta. Do outro lado um rapaz assustado com a minha possivel aura demoniaca esperava pela minha permissão para entrar.
- Podes entrar, já estou mais calmo.
- Com licença. Há um cliente lá em baixo que deseja vê-lo.
- Um cliente?
A parte da referência masculina foi suficiente para que a minha má disposição voltasse. Só havia um homem corajoso e estúpido a ponto de entrar no meu Host Club como cliente e ainda exigir a minha presença. E para azar dele apanhou-me mesmo num daqueles dias que a minha paciência se encontra a niveis negativos.
- Eu já desço. Dá-lhe o que ele pedir mas não deixes nenhum dos novatos se aproximar dele.
O rapaz acentiu e saiu. Por agora vou esquecer o que me apetece fazer àquela velha maldita do lado e focar-me neste maldito pervertido.
Não precisei de muito tempo para voltar a estar apresentável.
Cheguei perto da escadaria e pude começar logo a ouvir a comoção que se instalara. As clientes femininas encontravam-se extasiadas e excitadas por haver um cliente masculino que já pedira a presença de pelo menos três hosts incluindo um do top cinco, que por acaso era Jin, o atual número quatro.
Respirei fundo e falei do cimo das escadas chamando toda a atenção para mim:
- Boa noite ladys e gentlemans. Que os vossos sonhos se estejam a concretizar também esta noite.
Os aplausos ecoaram pelo espaço e ele levantou-se do sofá aproximando-se dos últimos degraus onde tencionava esperar-me. Podia ver o sorriso luxurioso e lascivo que me dirigia.
- Master... Deslumbrante como sempre.
- O que queres daqui Fukami. Pensei ter deixado bem claro que não pretendo vender nenhum dos meus rapazes para o teu bacanal nojento.
- Não sejas assim, a minha casa de S&M seria muito mais popular se contribuisses com alguns dos teus meninos. E ainda não desisti de te fazer a minha jóia da coroa.
Uma mão insinuante tentou tocar-me o rabo mas depressa o afastei e só não lhe bati porque iria criar mau ambiente entre as restantes clientes.
Para além de uma personalidade irritante Fukami era dono de uma casa de S&M frequentada especialmente por pessoas da mais alta patente. Tudo nele me causava asco (perto dele as mulheres para mim tornavam-se anjos), desde a insistência em querer levar os meus rapazes para aquele buraco aos toques indecentes e palavras repulsivas e em concreto o tipo de serviços que oferecia na sua loja composta na maioria por órfãos menores ensinados desde cedo a sentir prazer por meio do sofrimento.
- Vá lá Master...
Nem o deixei acabar. Agarrei-lhe a gravata de forma discreta mas sem deixar de apertar a ponto de ver uma veia tornar-se saliente no pescoço a par do ar apavorado.
- Desaparece do meu Host porco nojento ou juro que te faço comer merda o resto dos teus dias antes que possas voltar a aliciar um dos meus funcionários.
Larguei-o violentamente fazendo-o tropeçar e tossir pela falta de ar. Desta vez olhava para mim furioso e podia perceber o quanto queria atacar-me.
- Isto não fica assim. Vou fazer-te rastejar ao som do meu chicote Master.
Bastou um olhar para que entendesse que a conversa acabara ali e sair. Voltei a suspirar fechando os olhos. Será que aquele dia não podia piorar mais?

2 comentários:

  1. Visto do lado do Master deu para entender que aquela reacao com o Lawrence foi de preocupação (mas porque nao se lembrou de o convidar para trabalhar no seu host?)
    Agora esse homenzinho que apareceu lá é bem reles. ..

    ResponderExcluir
  2. Eu entendo o lado do Master, tem certas coisas que nao conseguimos controlar. Entretanto, ainda acho bem radical.
    E esse maluco do Fukami? Já vejo ele causando alguma confusão.

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