Devalli Demons Capítulo 65 por Golden Moon


Capítulo 65

Eu sequer tive tempo de pensar em gritar o seu nome. Vi os olhos tão negros de Lizzy se fecharem e ela balançava a cabeça devagar, talvez tentando pensar em uma solução para aquele problema, ou recuperar a sua postura.

— Perdoe-me por isso, William. — ela respirou fundo e voltou-se para mim — Dylan seria um péssimo líder...

— Os dois planos para mim são... — como eu não conseguia mais completar uma frase sequer?  Todas as palavras e pensamentos me fugiam diante daquilo.

Para minha surpresa, Elizabeth sentou-se ao meu lado. Mantinha sua postura, com as mãos sobre o colo e eu sabia que o iria ouvir poderia não ser tão agradável.



— Eu sei que tudo isso envolve toda a sua família e o quanto é difícil para você enfrentar, pois está apaixonado por meu primo. Mas nós precisamos nos defender...  São anos e anos com esses territórios em nossas mãos e sempre que eles têm oportunidade, tentam nos tomar.

A mão delicada de Elizabeth tocou a minha e sua pele negra reluzia sobre os finos raios de sol que nos atingiam. Quando retornei meu olhar para ela, Elizabeth era como uma visão de uma divindade, a proteger um ser desamparado. Seu olhar não era mais firme como de antes, mas acolhedor. Por algum motivo, comecei a acreditar que a melhor solução era a que ela trazia.

— Nós também amamos muito o Dylan e nossa decisão é pelo bem da raça. Se não agirmos como planejamos, o futuro de todos aqui é prejudicado.

Balancei a cabeça, compreendendo o que ela me dizia. Logo, Lizzy estava de pé e sua postura de líder havia se apagado completamente. Ela estendeu a mão para mim, convidando-me para o almoço.

Não me impressionei em chegar à sala de estar e Dylan não estar presente. Sentei-me ao lado de Philippe e ele sorriu para mim, enquanto seu irmão me observava com aquele seu ar de enigma, provavelmente já pressentindo o que havia acontecido.

— Eu sabia que Dylan iria embora... — divagou Louis, já pegando os talheres para começar a almoçar. — Ele não vai tirar essa ideia da cabeça.

— Eu acho que deveríamos deixá-lo em paz. — disse Philippe, que parecia dividido naquela situação — Ele não tem como executar isso sozinho.

— É um plano difícil de fazer sozinho mesmo. — concordei, já começando a comer.

Eu ouvi o som de talheres postos no prato, mas não de forma abrupta. Olhei para Louis e ele parecia um pouco surpreso por minhas palavras. Olhava-me como se custasse a acreditar no que eu dizia.

— Você não estava ao lado de Dylan? — eu sabia que me questionaria, mas eu tentaria manter a calma. Não podia me descontrolar na frente deles.

Então, respirei fundo e preparei mentalmente a resposta, porém, outra voz se interpôs a minha.

— Ele não precisa se arriscar ainda mais por minha causa. — a voz de Dylan insurgiu e, quando olhei para trás, ele estava de pé, abaixo do arco que nos levava à sala e seu semblante era sério. Senti certa culpa em dizer aquelas palavras, mas ele já sabia minha posição sobre o seu plano... E eu não voltaria atrás, definitivamente.

Eu tentei me levantar para me aproximar de Dylan, mas ele foi um pouco mais rápido e se aproximou de minha cadeira, sentando-se ao lado. Quando me voltei aos presentes, Elizabeth olhava para ele, séria, enquanto Louis ainda parecia estranhar a minha atitude, mas tinha se voltado a sua refeição. Eles pareciam tentar tolerar as decisões de cada um, pelo bem de sua família.

Assim que terminamos o almoço, que não foi tão animado como da última vez, Dylan me chamou para irmos à sua casa, pois precisava um tempo a sós comigo, eu consenti, um pouco surpreso com seu pedido, já que iríamos para uma "área de risco". Mas, quando percebi, estávamos na carruagem, partindo para sua residência. Dylan não me disse mais nada antes de sairmos, apenas pediu que eu fosse e eu, ainda naquele sentimento de culpa por não conseguir apoiá-lo — por mais ridícula que fosse esse sentimento — aceitei sem nem precisar lhe dizer sim. Eu apenas o segui, ciente dos riscos e de todo o peso que eu continuava a carregar.

Estranhei o caminho inteiro o fato de que Dylan permaneceu calado, porém me confortava o fato de sua mão permanecia repousada sobre minha perna, acariciando-a levemente. Eu senti uma imensa vontade de pedir-lhe desculpas... De acalentá-lo e entender o deu sofrimento, mas nada que eu pudesse fazer poderia melhorar a situação.

— Dylan...— murmurei, um pouco receoso por sua reação.

O rosto dele virou para mim lentamente e o olhar de Dylan estava tranquilo.

— Sim? — ele não afastou o toque de mim, então procurei agarrar a sua mão.

— Tudo bem? — eu queria dizer algo a mais sobre o almoço, mas simplesmente não conseguia.

Ele assentiu, balançando levemente sua cabeça. Mesmo naquele movimento da carruagem, procurei me aproximar mais dele e Dylan não se mexeu, como se esperasse meus próximos passos. Busquei seu abraço, enroscando os braços em seu corpo e eu logo senti seu toque em meus ombros. Dylan agora olhava para a janela, como se procurasse todas as respostas que precisava naquele horizonte cheio de árvores.

Queria beijá-lo, mas não tinha coragem para olhá-lo novamente. Continuei inerte em seus braços, sabendo que quando chegássemos a sua residência poderia até conseguir arrumar as minhas palavras para lhe dizer algo. Enquanto isso, eu poderia lhe dar apenas o meu abraço.

Continuamos assim durante o caminho e eu percebia que estávamos a demorar muito para chegar ao local. Dylan olhou para a janela, um pouco inquieto pelo que acontecia e decidiu projetar-se pouco para fora, a fim de perguntar qual o caminho tomado pelo cocheiro. Eu esperei já um pouco impaciente para fora, enquanto via o corpo de Dylan ir pela janela.

Entretanto, o meu corpo foi tomado por uma onda de pavor quando Dylan voltou repentinamente e segurou o meu corpo em seus braços. Ainda com a carruagem em movimento pela floresta, eu fechei os olhos e, quando percebi, meu corpo ainda agarrado ao de Dylan projetava-se para fora da carruagem, porém, eu não senti sequer um impacto ao chão. Sentia uma leve brisa no rosto, como se estivesse aos céus, navegando pelos ventos.

E, quando abri novamente os olhos, era realmente isto que ocorria. Pairávamos, próximos as copas das arvores e a carruagem parou repentinamente em meio a floresta. Quando olhei para trás, o rosto tão jovial de Dylan tinha suas extremidades cobertas de escamas negras e fios de cabelos pretos esvoaçavam sobre suas costas, junto a duas asas pontiagudas.

Quando encontrei os seus olhos, frios como de um caçador, eles estavam vermelhos e as Iris verticais, assim como descritos nos livros sobre as raças demoníacas. Eu nunca pensei que veria aquela forma tão perto de mim. Entretanto, eu não consegui sentir medo. Quando pousamos ao chão e ele continuou a agarrar o meu corpo, ainda em sua forma de demônio, como se esperasse a qualquer momento um ataque de outra criatura.

 — Dylan? — perguntei, ainda um pouco confuso com aqueles fatos.

— Fique calado. — a sua voz não soou fria, mas era um imperativo cuidadoso, que eu decidi respeitar passivamente.

A floresta era dominada por um silencio sepulcral que, de certa forma, dava-me calafrios. Dylan continuava a olhar para a floresta, tal qual felino a espreita, seu olhar tornava-se mais atento à medida que os segundos se estendiam. Continuei quieto, mas a minha língua coçava para perguntar-lhe o que acontecia. Minha perna começou a tremer, mas não de tamanho medo, mas ansiedade para o que aconteceria depois.

Até que ouvimos um pequeno barulho de movimento em uma trilha. Dylan imediatamente olhou para a direção de onde vinha o som, que se aproximava cada vez mais de nós.

— Não saia de perto de mim — sussurrou, segurando-me com ainda mais força perto ao seu corpo.

As asas dele continuavam distendidas e suas garras prendiam-se sobre o meu corpo em toda força.

O som que ouvíamos tornou-se mais eloqüente e podíamos discernir que era som de passos. Continuei a olhar para a trilha e Dylan também prestava atenção naquele local, porém, logo sua cabeça virou-se repentinamente, causando-me um susto tremendo.

Quando olhei para o local onde sua atenção estava concentrada, uma criatura fantasmagórica agachava-se sobre o galho consistente de uma grande árvore, observando-nos com um sorriso cínico em seu rosto. Os cabelos pretos estendiam-se sobre seu torso e a pele era quase transparente, deixando surgir diversas veias escuras por todo o seu corpo. Suas asas não eram tão magníficas quanto as asas de Dylan, eram pequenas, mas não menos ameaçadoras. Era uma criatura fantástica e grotesca ao mesmo tempo.

— Ora, ora...— ele desceu do galho rapidamente e logo andava em nossa direção — Não pensei que seu nível de rebeldia chegaria a esse ponto, pequeno Sullivan.

Meus olhos se arregalaram e eu simplesmente não conseguia parar de encarar aquela criatura. Seria Erin? Aquela criatura grotesca era Erin?

2 comentários

  1. É mesmo Erie? o.O
    essa historia esta cada vez mais emocionante

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    1. Quando postar o proximo cap vc descobre, Rima-san!
      Ah, obrigada 💕

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