Red District This Side of the Moon 28 por C.C & Mel Kiryu

 


    Prólogo – Crime e Castigo no Sexshop por Mel Kiryu

           Não foi complicado obter as informações que precisava, o homem em questão estava associado à máfia, embora não fizesse parte de qualquer clã. Era conhecido por ter uma casa de apostas oculta pela fachada de uma loja que vendia produtos de sexshop.
    Descobriu que o tal homem tinha fama de ser um filho da puta sádico e vendia brinquedos sexuais de todo tipo e foi na Houkan House que obteve a confirmação final de que precisava.
    Esperou a noite cair.

    Vigiando a movimentação do interior de seu carro estacionado no parquímetro no outro lado da rua, os vidros recobertos com insulfilm.
     O dono do Sexshop baixou pela metade as portas metalizadas e Hagane saiu do carro.
     Caminhando tranquilamente, misturado ao movimento morno nas calçadas, entrou trespassando numa atitude indiferente as portas semi cerradas do estabelecimento que estava prestes a ser completamente fechado.
      A cerca de dois dias atrás, Hagane já tinha entrado na loja fingindo ser um cliente interessado em anéis penianos, mas na verdade quis apenas confirmar se havia algum sistema de segurança e câmeras filmadoras. Havia apenas uma.
            Sabia que não havia problema, desde que ficasse fora do ângulo de alcance dela.
           Já tinha feito todos os cálculos a seu favor, entrou na loja sem se afastar em demasia por onde havia entrado.
__Samejima Ikuta?
     O homem que estava agachado atrás do balcão levantou-se no impulso ao ouvir seu próprio nome.
__Sim? Estamos fechando.
    Sem vacilar e munido de sua frieza absoluta, Hagane sacou a arma do coldre oculto pelo sobretudo.
     Os olhos de Ikuta soltaram das órbitas por dois segundos, prestes a acionar algum socorro ou fugir, quem sabe sacar também alguma arma escondida.
      Mas, não importava.
      Bastou um disparo, a arma não fez qualquer ruído já que usava silenciador.
      Um estampido seco e breve, depois disso a bala alojada no crânio de um sádico.
      O homem tombou por um breve momento pra trás e recuou como tomado por um espasmo, caiu sobre o balcão de olhos abertos com o orifício feito a bala no meio da testa a sangrar.
      Hagane deixou a loja tão calmo e sorrateiro quanto entrou e se misturou as pessoas num ponto de ônibus, embarcou em uma das linhas que parou naquele ponto logo em seguida.
     Um de seus companheiros do clã viria em seguida andando por aquela rua e sairia com seu carro daquelas imediações.
     Ocupando um dos lugares daquele ônibus, Hagane que estava do lado da janela, admirava a noite e sorriu discreto para seu próprio reflexo no vidro.
     Satisfeito por ter terminado com a existência de um dos homens que tinham violentado e agredido Lawrence em um dos aposentos reservados aos clientes da Houkan House.
     Ainda não havia descoberto quem era o outro homem que estava com Ikuta na noite do abuso em questão.
    No entanto, era somente uma questão de tempo.
    A prioridade de Hagane era acima de tudo, reaver seu objeto de afeição. Antes de qualquer outro traste, qualquer um que estivesse interessado na recompensa oferecida pelo michê fugitivo.
     Estava determinado.
     Se encontrasse Lawrence, nenhum outro lhe poria a mão.
     Nem mesmo os donos do prostíbulo conhecido por Houkan House.
                                                                   **********
                                                            Capítulo 28
 
                     Fazia tempo que eu não sonhava com minha mãe.
          Nos três anos em que me prostituí na Houkan House, era raro vê-la em meus sonhos e sinceramente, eu também pouco pensava nela quando estava acordado, tão pouco sentia saudades.
    Quando passei a ser Lawrence, fiz questão de esquecer muita coisa que tinha vivido meu antigo eu. Eu podia ainda ter essas lembranças como um filme antigo na memória, mas era como se nem fossem minhas.
    O sonho que tive, foi mais uma dessas lembranças. Aconteceu quando eu tinha dez anos, fiquei ingenuamente feliz quando minha mãe saiu comigo e levou-me a um Arcade, uma casa de fliperamas no centro da cidade.
     Revivi a situação no sonho, um pouco diferente do que aconteceu. Mas, em essência, aquela mulher fez o mesmo... Aproveitou que eu estava distraído jogando em uma das máquinas e se foi, achando que eu poderia me perder em definitivo.
    Nesse dia, minha mãe tentou me abandonar mais uma vez e conseguiu por algumas horas. No sonho senti sua falta e saí correndo pela calçada... Pude sentir no sonho o desespero, o medo de ficar sozinho, a tristeza incompreensível do abandono.
           A única pessoa que eu tinha naqueles dias, não me queria em sua vida.
     
     O que fez-me despertar e escapar daquele sonho ruim, foi o som de um carro e as luzes do farol adentrando a janela do quarto. De pronto dei-me conta da onde estava, encarei as paredes daquele quarto na penumbra e sentei rápido na cama, com o nome do Master escapando baixinho pelos meus lábios.
     A possibilidade de estar mais uma vez junto dele bastou para eu ignorasse a pontada de dor na minha lombar, era culpa daquele sonho. Em razão dele, acordei transpirando abandono e solidão.
    Achei que o encontraria na sala, mas estava vazia. Mirei-me no relógio antigo na parede e vi que passavam de duas da manhã. Meu palpite seguinte, é que talvez o encontraria na cozinha.
    Espiei ainda do corredor, colocando minha cabeça na entrada e constatei que ele estava lanchando, comendo o tempurá que eu havia preparado. Nessa altura, a minha própria expectativa estava me matando e contive qualquer ímpeto louco que me sobrevinha, a vontade descabida de aperta-lo, tê-lo confundido comigo de tão juntos um do outro.
    Entrei devagar na cozinha, medindo a lentidão de meus gestos e até mesmo minha respiração.
__Master... Correu tudo bem no Host Club?
    Em resposta, olhou-me surpreso e retrucou depois de terminar de mastigar:
__Correu sim. Ainda acordado a esta hora?
__Eu cheguei a dormir um pouco...__ Eu repliquei, aproximando-me um pouco mais.__ Mas, fiquei aliviado ao ouvir o barulho do seu carro, foi o que me tirou de um sonho ruim.
    Fitei seu sorriso, preso por sua voz.
__Então, ainda bem que te acordei.
    Estar sozinho com Master era algo que me inquietava, deixava-me nervoso e desconcertado por demais... Eu não sabia me portar, o que dizer, até onde eu podia ir. Tudo que eu sabia é que eu queria ficar perto dele e agora eu podia fazê-lo.
     Cheguei mais perto e sem emitir qualquer som, encostei minhas costas junto as dele enquanto ele lanchava ali de pé na cozinha. Sentir o calor de sua existência dispensava qualquer palavra.
__Gostaste da casa?
     Ouvi a pergunta sem me apartar dele e sorri.
__Bastante... É bonita e quente como um abraço... Eu dormi num quarto com uma cama de solteiro tão aconchegante e vi uma fotografia... Seria a sua família?
__ Sim. Essa fotografia foi tirada quando compramos a casa e viemos cá a primeira vez.
      Eu só conseguia pensar que eu pouco sabia sobre Master, a família na fotografia parecia tão feliz...
    Então, porque Master tinha se sujeitado a ser michê? Algo ruim acontecera, isso era certo. Mas, decididamente não era o momento para conversarmos sobre isso.
__Master... Gostou do que fiz para comermos?... Achei mesmo que chegaria com fome...
    Nesse instante ele se virou e disse com uma gentileza a mais na voz, a afagar-me o cabelo:
__Sim, estava ótimo. Obrigado Lawrence.
    Não havia como resistir, também virei para ele. Precisava muito olhar dentro daqueles olhos.
__O que você quer fazer agora? Seja o que for... Eu gostaria de poder fazer contigo.
__Então, anda comigo.__ Sua sugestão veio junto com o gesto de sua mão tomando a minha.
    Nós saímos para a parte de trás da casa, onde havia um coreto e uma bela paisagem noturna.
   Nem sabia ao certo o que fazíamos ali e pronto, já estava previamente fascinado e curioso, troquei olhares com Master ao passo que eu levava uma mecha de meu cabelo para trás de uma de minhas orelhas.
__Por que viemos para cá?... É um lugar especial para você?
__Na verdade eu detestava este lugar. Era onde os meus pais se sentavam juntos a namorar quando achavam que eu já estava a dormir. Eu sentia-me excluído do mundo deles. Mas agora entendo porque eles gostavam tanto de vir aqui, partilhar esta vista com alguém torna tudo especial.
     Eu olhei quase demoradamente para o céu, havia muitas estrelas. O céu da madrugada estava estupendo.
    Seria mesmo possível? O frio que eu costumava sentir na boca do estômago contaminara todo meu corpo e preciso fazer uma imenso esforço para articular o que pretendo dizer, minha voz escapa trêmula.
__Estar com você é que dá um novo significado ao céu estrelado...
    Quase esqueci que precisava respirar quando ele me abraçou por trás e apoiou o queixo de leve sobre minha cabeça.
__Devíamos ir dormir, está tarde e precisas de descansar.
__Só se eu puder dormir abraçado contigo... Posso?
__Lawrence, estás ferido, não podes abusar.
__Abraços não machucam, Master... Eu eu realmente preciso do seu abraço.
    Acabei por deixar escapar parte do abandono que senti quando despertei daquele sonho ingrato.
    Ouvi Master exalar um suspiro.
__Tudo bem, ganhaste. Mas tens de te comportar, prometes?
__Tem medo que eu te agarre de jeito... Hum?__ Eu ri baixo, algo provocante.
__Tenho medo do que eu possa fazer. Agora a andar para a cama, garoto safado.
    Eu ainda estava algo envolvido por seu abraço quando me movi suave e fiz uma mesura, acho que realmente ri feito um moleque.
__Como quiser, meu amo e senhor...
    Quando virei-me para me retirar, Master também riu e meteu um belo tapa no meu traseiro.
              Ah... Eu bem estava louco para saber do que ele era capaz de fazer comigo.
       Master mais uma vez me conduziu para o interior da casa, e depois de alguns rituais simples fomos para um quarto de hóspedes onde havia uma tentadora cama de casal.
       Resolvi ser um bom menino pelo resto da madrugada, me aconcheguei bem junto dele e aspirei o aroma de seu corpo a fechar meus olhos.
     Por hora, era muito mais do que poderia sonhar acordado... Tomara que eu não acordasse tão cedo para qualquer outra realidade.

4 comentários

  1. Opa, Hagane fez o serviço sozinho. Ainda não sei se posso gostar dele, mas... Que vingança fria!

    Eu chorei com a situação do Lawrence no sonho... tem razão para sumir de casa :'( Mas depois meu coração se confortou com o momento fofo no final... Foi lindo.
    (ah, eu tambem queria saber o que Master é capaz de fazer com Law, deixa ele ficar sarado rsrs)

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    1. Ah, o Hagane ainda vai aparecer bastante na estória, acho que a tendência (apesar do jeito frio dele na hora de matar), é você gostar dele. Ele tem seu lado atrapalhado e infantil como qualquer pessoa. (Só que algumas escondem muito bem)

      Isso é verdade, o Lawrence teve motivos fortes para fugir, ele sofreu vários abandonos durante a infância.
      (Golden, o Lawrence também quer muito descobrir! ^^")

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    2. Que boa notícia *-* Desde que ele apareceu, fiquei interessada no personagem ^_^ Parece o tipo que eu vá gostar mesmo.
      Quero saber mais da história do Law... sou louca pra saber o verdadeiro nome dele.

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  2. Eu ate gosto do Hagane ...
    mas pergunto me o que ele faria se.descobrir que o Master tem o Lawrence

    ja os dois pombinhos quase parecem de lua de Mel

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