Red District This Side of the Moon 34 por C.C & Mel Kiryu

     
  Prólogo por Mel Kiryu

           Não demorou muito dentro da Houkan House.
       Tinha algo a confirmar e logo que obtera a informação que precisava com Obasan, deixara o prostíbulo. Fazendo uma pequena caminhada até seu carro estacionado a algumas quadras dali.
    Ocupou o banco do motorista espiando a movimentação da calçada pelos vidros cobertos com insulfilm e sacou o celular do bolso do blazer.
    Como de praxe, Genzo atendeu dois toques depois.

__Escuta, Genzo... Pode abortar a última investigação.
__Abortar?... Hum.__ Ele grunhiu de seu lado da linha.__ Que foi? Não desistiu de ir atrás do michê... Desistiu? Ou será que o entregaram para a Houkan House na sua frente?
__Não... Errou as duas.__ Hagane zombou, discreto.__ Não precisa investigar os Hosters do Paradise, eu só preciso que você investigue sobre um deles... É o dono do Paradise, o conhecem por Master.
__Interessante...__ Genzo retrucou, fumando enquanto falava ao telefone.__ Que foi que você descobriu?
__Que eu não sou o único interessado de forma passional no Lawrence... Ouvi histórias antigas bem interessantes sobre um certo michê chamado Akatsuki, acredito que tenho um rival bastante determinado.
__O que você quer exatamente, Hagane?
__Não deixe pontas soltas dessa vez, quero tudo a cerca da vida desse Master revirado... Algo me diz que posso chegar no Lawrence através desse homem.
__Fico ainda de olho no Watari?
__Não, vamos nos focar no Master... Depois do último dossiê, Watari parece insuspeito para mim... Afora sua ligação anterior com a máfia, ele é ficha limpa.
__U-hum... Descobriu algo mais indo à Houkan House?
__Nada de mais importante... As coisas andam agitadas por lá, negociaram com alguns oportunistas atrás da recompensa a compra de novos michês... Garotos que levaram até Okaasan, achando que tinham posto a mão em Lawrence.
__Acho que eu ganhava mais se fosse cafetão, ao invés de informante... Hein, Hagane?__ Genzo escarneceu, com sua risada rouca.
__Chega disso, Genzo.__ Hagane retorquiu incisivo.__ Faça o que eu mandei e vê se dessa vez não chama uma atenção desnecessária. Seja discreto ao investigar o Master.
__Vou trabalhar com o meu melhor informante, até amanhã devo ter algo para você.
__Fico a espera.
    Hagane encerrou a ligação, tornou a guardar o celular e colocou os óculos escuros que usava para dirigir.
                                                                     *********
                                                              Capítulo 34

                                 Fiquei decepcionado por acordar sozinho.
                Mesmo tendo ido dormir tarde, acordei cedinho. Cercado pelos livros, dois deles tinham caído no chão.
       Recolhi os livros, deixei os cinco livros um sobre o outro na mesinha de cabeceira ao lado da cama e sentado na cama, olhei para a porta encostada perguntando-me se Master teria chegado em meados da madrugada.
     Primeiro fui ao banheiro, urinei e lavei as mãos e o rosto, ajeitei meu cabelo solto e bagunçado com as mãos.
     Para minha surpresa, encontrei Master dormindo de mal jeito no sofá... O que ele estava pensando? Devia ter chegado tarde, talvez pouco antes do amanhecer.
     Fiquei feliz por ele estar ali, inclinei-me devagar e ergui um pedacinho de seu cabelo, prendi a mecha macia entre os dedos e beijei sua testa.
     Ele nem se moveu, devia estar exausto.
     O que devia me dar um tempo para tomar um banho de corpo inteiro, aquele curativo na minha lombar deixava-me irritado e queria me livrar dele a todo custo, acima de tudo... Queria estar bonito para o Master.
     Voltei no banheiro, livrei-me das roupas em meu corpo e quando me enfiei sob a ducha, arranquei a bandagem e joguei na lixeira perto do box. O ferimento ardeu sob a água morna e ignorei a sensação de ardor causada pela ferida aberta.
      Durante o banho, considerei a ideia de surpreendê-lo ao preparar algo para o asagohan, tal como ele fizera comigo no dia anterior ao levar café na cama para mim.
      Nunca haviam feito tal gentileza para mim.
     
       No entanto, eu que terminei por ser surpreendido mais uma vez pelo Master.
     Nem sei dizer em que eu estava pensando quando saí do banho e ele surgiu entrando pela porta. Percebi de imediato que não estava sozinho e virei-me nu do jeito que estava... A expressão de choque em seu rosto me remeteu a um pudor que antes nem tenho lembrança de já ter sentido.
    Eu não queria que ele me visse como um michê vulgar, mas me senti assim de instantâneo.
    Puxei correndo um yukata pendurada, meu corpo tremia, meus braços se atrapalharam para entrar nas mangas quando virei de costas para ele.
    Jamais tinha ouvido Master gaguejar daquele jeito, esse detalhe apenas serviu para acentuar a vergonha que eu sentia.
    Nós dois tentamos nos justificar, eu me sentia péssimo... Quando Master perguntou sobre o curativo que eu tinha jogado fora, me senti como uma criança desobediente e essa sensação ficou mais forte quando ele agarrou uma toalha e se colocou a secar meu cabelo.
__Tens de te secar em condições ou podes apanhar um resfriado. Veste-te para eu poder fazer-te um curativo novo. Depois vamos tomar o pequeno almoço e o resto fica por tua conta. Hoje vamos fazer o que tu quiseres.
     E sorriu-me adorável e sendo mestre em ser evasivo, deixou-me sozinho.
             Como assim?... Mal consegui me mover no primeiro instante.
             Estupefato.
             Fazer o que eu quiser?...
             Hoje era ele quem estava brincando com fogo.
                                                                  ***********
            Como refazer o curativo era sempre algo dolorido para mim, quase não falamos nesse momento.
        Somente quando estávamos juntos na cozinha a comer tamagoyaki é que iniciamos um diálogo mais relaxados, muito embora... Eu não conseguia parar de pensar no que acontecera no banheiro, bem naquela manhã.
__Master... Fiquei te esperando até às duas da manhã. Houve algum problema no Host Club para ter chego tão tarde?       
     Não consegui decifrar o que havia em seu olhar, havia algum zelo e cuidado, mas também havia algo mais...
__Tive de levar uma das clientes a casa.
     Eu ia levar um pedacinho de Tamagoyaki a boca com o hashi, mas desisti.
            Estreitei meu olhar sobre ele.
__Então... Aconteceu alguma coisa. Não vai me contar?
__Ela sentiu-se mal. A Yuuka-san tem pouca resistência ao álcool.
    Tomei um pouco do suco que eu tinha feito para nós dois com as laranjas que eu tinha comprado no dia anterior e meu cotovelo descansou na beirinha da mesa, eu ainda tinha meu olhar preso a ele e para variar... Sentia-me inquieto com as possibilidades.
__Que atencioso... E pensar que posso ter essa atenção de forma ilimitada hoje.__ Eu sorri nervosamente.__ Você falou sério? Vai passar o dia todo comigo e fazer o que eu quiser?
    Ah! Caramba... E minha voz soou tão desprotegida, eu estava me sentindo uma negação naquela manhã.
     O riso descontraído do Master quebrou um pouco da minha tensão e eu descontraí meu diafragma lembrando que precisava respirar.
__Só para que saibas a Yuuka-san tem 60 anos. E sim, hoje estou às tuas ordens.
__Ah... Eu... Master! Não ria como se eu estivesse com ciúmes...__ Eu também acabei rindo, senti meu pé descalço esbarrar no dele sob a mesa.__ E já que é assim... Está proibido de me dar respostas evasivas hoje... Porque ontem, eu não conseguia parar de pensar em você.
      Eu fiz minha pequena confissão e baixei o olhar com receio das possíveis respostas que ele poderia me dar.
__Muito bem meu amo, farei o que me mandar.__ E ele me diz ainda sorrindo, mas com um sorriso mais carinhoso.   
      E sem que eu pudesse resistir ao calor do sorriso do Master, toquei-lhe a mão, fechando meus dedos como se minha mão abraçasse a dele.
__Master... Antes de nós dois fazermos qualquer coisa... Eu preciso entender o que você sente a cerca da nossa relação.
    A mão de Master também buscou a minha, como se abraçasse de volta.
__Eu gosto de ti Lawrence, e quero ficar contigo.
__Como seu namorado?... Alguém com quem você deseja dividir a vida?...__ E conforme minhas palavras escapavam, senti meus olhos se turvarem com os sentimentos a transbordar.__ Porque... Tive medo que eu estivesse forçando toda essa situação... Não queria te obrigar a ser responsável  por mim.   
         Sei que tornei-me cabisbaixo, eu queria tentar esconder a lágrima que descia pelo meu rosto e um pouco de meu cabelo cobria minha face.
        Master, por sua vez, agarrou-me pelo rosto e fez minha testa encostar bem junta a dele.
__Não estás a obrigar-me a nada, eu quero-te aqui.
__Está tudo bem em te tocar?... Em ser tocado por você?...__ Questionei num sussurro demasiado emocional.__ Porque... Sinto que te adoro.
__Se prometeres que vamos com calma. Não é só pela tua idade Lawrence, ainda estás ferido não podes esforçar-te demasiado.
__Mas, eu não suporto quando sinto que está distante de mim...__Ergui um bocadinho o rosto, meu nariz tocou a pontinha do nariz de Master.__ Posso ter dezenove anos, mas não sou inexperiente... Tão pouco virgem. Por ser michê... Precisei amadurecer depressa... Master...__ Meus dedos tremulando afagaram seu cabelo e meus dedos acariciaram sua nuca.__ Eu não sou um garoto.
                 Com certo ímpeto, confrontei os olhos negros de Master.
__Não estou distante. Lawrence eu não quero que a nossa relação se baseie em algo fisico. Quero que a gente se conheça, dar-te o que mereces... O sexo virá como bónus mas não é o mais importante. __Master retribuiu o gesto acariciando também os meus cabelos.
__Então diz... O que você quer saber sobre mim?
            Esquadrinhei a face de Master com meu olhar, cheio de expectativa.
__Tudo. Mas não quero forçar-te a contares-me o que quer que seja. Quando estiveres preparado poderás fazê-lo.
__Você não percebe? O que eu fui antes não importa... Eu não quero ser mais o Lawrence que somente conhece o sexo sem amor.
__Tu é que não percebes. O que foste antes é o que faz de ti o que és hoje.
    Essa proximidade entre nós dois não passava de uma lenta tortura, nossos semblantes tão perto, meus dedos acariciando sua nuca e sua mão em meu cabelo... Tudo que eu queria era poder beijar-lhe os lábios.
    Desejo este que não tive como conter, fechei meus olhos e precisei me mover minimamente para que eu pudesse sentir-lhe a boca, os lábios dele se abriram tendo o cuidado de deixar que eu provasse da carícia sem, contudo, poder prolongar o gesto.
      Ainda sim, esse pequeno beijo fez meu corpo se acender e ao fim dele, fitei Master e subitamente me ergui, abandonando a cadeira.
     Ele me olhou algo confuso.
__Pois... Está decidido, Master. Eu somente contarei fatos sobre mim depois de cada vez que fizermos sexo... Esse é meu jeito de coloca-lo de castigo... Assim como faz comigo.

 
               
                                                 

5 comentários

  1. oi Mel o capitulo esta lindo, estava ansiosa pra ler cade vez eu adoro o law e o master

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia, Dineia. Tudo bem?
      Fico mega feliz que esteja gostando.
      C.C e eu agradecemos.
      Ainda terá muito do Lawrence e do Master para você.

      Excluir
  2. Hahahahah Eu adorei o Castigo de Lawrence, mas do jeito que eles andam, vai demorar!
    Fiquei preocupada com essa investigação de Hagane, acho que ele pode acabar encontrado o Law :-\

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Em verdade, o Lawrence falou sem pensar, levado pela frustração. O Master e o Lawrence tem modos diferentes de pensar e viver o sexo... Mas, não pense que o Lawrence vai desistir tão fácil de seduzi-lo. ^^'
      É... Hagane é bem astuto... Isso não deve demorar.

      Excluir
  3. Eu acho que vai sair um dia bem romantico
    ( sem cheiro a sexo)
    E o Master vai ter que aceitar o castigo do Law ou se decidir a querer algo mais :p

    ResponderExcluir

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.