Hoshi wa shitte iru 9 por Rima-san e Mel Kiryu

 

 Capítulo 9   
Depois do beijo, a promessa quebrada (por Mel Kiryu)

                    Cheguei bem tarde em casa.
                  Não que eu me arrependa, claro. Mas, eu bem que pensei que daria para sair na surdina e voltar sem que minha família percebesse realmente minha ausência.
         Porque eu pensei que isso fosse possível? Esqueci do potente radar da minha mãe.


         Depois de trocarmos um tremendo beijo debaixo do alpendre do fontanário do parque, naturalmente me ofereci para levar Katsuo em casa e foi por duas razões, primeiro que assim eu poderia ficar mais tempo com ele, juntinhos sob o guarda-chuva e, por conseguinte eu descobriria a precisa localização de sua casa.
    Aliás, tanto a casa quanto a área do dojo eram arquitetadas no estilo tradicional japonês, era quase como ver uma paisagem antiga cercado por toda aquela chuva.
    Nos olhamos debaixo da proteção estreita do guarda-chuva e tive vontade de beija-lo, mas reconsiderei. Sua voz serena me convidou para entrar, mas não tinha como... Eu estava fora de casa por tempo demais.
    Ainda sim, antes de deixarmos o parque, trocamos os números de telemóvel. Iríamos marcar algo para fazermos no final de semana.

          Fiz o caminho de volta sozinho.
        Vim pensando na nossa conversa, nos dois beijos que trocamos, o primeiro em que eu é quem tomei a atitude e segundo que sugeri para selar esse... Compromisso? O segundo beijo partiu dele.
         Percebe a situação? Ele é muito lindo e a personalidade do Katsuo é ainda mais atraente, mas estou firmando um compromisso com outro homem e segundo o que prometi ao meu pai, era tudo o que eu NÃO devia fazer.
     
        Contudo, ao chegar em casa... Esse ainda não era o maior de seus problemas.
      Entrei pela porta que ficava nos fundos, era o caminho mais curto até meu quarto. Mas, não importava por onde eu entrasse, a não ser que fosse pela minha janela. Minha mãe estava a minha espera, de braços cruzados e esperando por uma boa explicação... Bem na porta do meu quarto.
__ Alguma boa razão para sair escondido debaixo dessa chuva? Você não é disso, Lang.
__ O que me denunciou?
__ Foi o Vogel.__ Ela deu de ombros, tendo o semblante sério e quase chegando na escala de bravo.__ Ele ficou te procurando pela casa com a guia de passeio na boca. Aonde você foi, Lang?
__ Mãe... Eu sei o que eu faço, não sou mais criança.
__ Isso não te deixa isento de fazer bobagem... Sabe que horas são? É bem tarde! Uma pessoa só sai debaixo dessa chuva se for obrigado, ou se tiver uma boa razão.
     Eu desviei o olhar, também achei que seria pior dizer qualquer coisa em minha defesa.
    Mesmo que não olhasse diretamente, eu podia sentir o olhar de Inga a me dissecar.
__ Saiu para encontrar com a pessoa que gosta de constelações?__ Sua voz soou duvidosa, somente pelo tom de sua voz eu sabia que ela estava franzindo o cenho.
__ Era importante...__ Retruquei baixinho, sentindo o meu cabelo cheio de gotículas com os dedos.
__ Não diga! É uma noite bem estranha para se marcar um encontro... Está saindo com uma garota problemática? Não tem que resolver tudo sozinho, sabe disso.
__ Não, mãe! Sabe aquilo que a senhora disse? Que íamos nos beijar no próximo encontro?... Foi isso, tinha de ser hoje... A gente precisava se beijar e se dar conta que comer chocolate olhando estrelas ainda é pouco para nós dois.
     Mandei bem, minha resposta esplêndida deixou minha mãe admirada.
__ É sério? Beijaram-se na chuva! Minha nossa, mas eu tenho um filho muito romântico...__ Ela riu, só que depois me meteu um cascudo, meio que do nada.
__ Ai, mãe!...
__ Isso é por ter saído na miúda, filho desnaturado!__ Inga me censurou, rindo. Eu tinha a quem puxar.__ Ao menos, levou sua namorada em casa?
__ Que pergunta boba...__ Fiz uma careta, ainda sentindo doer onde o cascudo da minha mãe tinha pegado.__ Claro que levei.
      Ah, que vontade de corrigir minha mãe e mais ninguém... Eu adoraria poder dizer que ela na verdade era ele.
__ Na próxima vê se avisa antes de fazer alguma pequena loucura romântica, Lang.
     Minha mãe sorriu bastante sugestiva e passou por mim, apenas pelo seu andar percebi o alívio dela por eu não ter me metido em nenhuma encrenca.
          E finalmente pude entrar no meu quarto.
      Fui tirando o casaco e acendi a luz, vi Vogel deitado num canto, com seu rabo grande e felpudo em volta de seu corpo encolhido e somente seus olhos azuis me seguiram. Parecia até que sabia que tinha me metido numa fria com a minha mãe.
      Quando eu estava tirando a roupa úmida do meu corpo, pensando em Katsuo... Ouvi três batidas rápidas na porta e Hans a abriu.
__ E aí, Baryshnikov?
__ O que você quer, Hans?__ Eu estava prestes a vestir uma blusa, tinha o peitoral nu.
__ Escuta... Estou mesmo afim de dar uma conferida no Kinoshita Dojo, você não quer dar um pulo lá comigo amanhã?
__ 'Tá querendo tirar um sarro da minha cara na frente do "prodígio do Kendo"?__ Ironizei.
__ Ah, qual é... Vá comigo até lá e eu prometo pegar leve contigo.
__ Por que não chama o Ryouji para ir com você?
__ Quer parar com isso? Se eu estou te chamando, é porque eu quero ir contigo!
     Por essa eu não esperava, Hans não costumava sair comigo. Já tinha sido de se estranhar ele querer ir comigo na biblioteca e agora isso? Olhei para Hans ali em minha porta, quieto e desarmado e sem entender suas razões.
__ E aí?__ Hans insistiu.__ Podemos sair juntos amanhã?
__ Se você faz tanta questão...
     Fiquei tentado a me negar, mas não consegui... Porque isso queria dizer que eu poderia estar com Katsuo pela manhã.
    E para meu espanto, Hans sorriu para mim antes de encostar a porta do quarto, não disse nada, nem "boa noite"... Mas, tinha algo bom e indecifrável no sorriso dele que me arrepiou.
    Terminei de trocar de roupa ainda escutando a chuva e me deixei cair na cama, encarando o ecran do telemóvel.
     Sorri pensativo e digitei para Katsuo:
                   
                 "Meu irmão e eu iremos ao Dojo da sua família.
                    Pode ser pela manhã?"
                 
                      Não precisei esperar muito para ter a minha resposta, ainda que já fosse um bocado tarde.
              Sorri ainda mais para aquelas palavras, imaginei sua voz.

               "Pela manhã será ótimo.
                Vou ficar à espera de te ver ansioso."     

2 comentários

  1. Dois beijos ^_^ Que avanço ahahah Mas não posso deixar de admitir que estou preocupada com a família dos dois, vem problemas por aí.
    E Hans todo interessado em sair com Lang???

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    Respostas
    1. Se soubesse aonde esse dois beijos ainda vai dar... ^^"
      Bom, no caso da família do Lang não é tanto com a Inga que ele tem que se preocupar.
      Pois é, Hans tem lá os motivos dele.

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