Red District This Side of the Moon 36 por C.C & Mel Kiryu

 
  Capítulo 36
(Por Mel Kiryu)

                   Após minha infame tentativa de por o Master "de castigo", abandonei a cozinha e perambulei até o quarto de hóspedes onde havia dormido. Eu estava remoendo minhas próprias palavras.
      Não que eu tivesse me arrependido de dizê-lo ou fosse voltar atrás na minha palavra, mas eu tinha que admitir que minha atitude era bastante infantil.
      Eu estava no limiar do que era ser um garoto e um adulto e oscilava entre as duas condições.
      Andava me sentindo muito mais um garoto do que um adulto, essa era a verdade.
      Encarei os livros empilhados e decidi guarda-los de volta no escritório, ao fazê-lo não pude deixar de questionar que efeito minhas palavras impulsivas tinham sobre Master.
     O mais provável é que se quer tivesse me levado a sério, contudo, estava decidido a cumprir o que tinha dito a ele na cozinha.



          "Eu somente contarei fatos sobre mim depois de cada vez que fizermos sexo..."

     Quando eu estava no escritório, olhei para trás algumas vezes... Claro que meus olhos procuravam por ele, havia um polo de atração praticamente irresistível que sempre me guiava até Master.
     Fui encontra-lo e ele estava na sala, parecia ocupado enquanto digitava algo no celular e eu que já estava sentindo-me algo tolo, somente me aproximei e sentei no chão bem ao lado de suas pernas tal como um gato a ronronar.
    Foi Master quem recomeçou a conversa, por um momento pensei que poderia estar zangado com minha impulsividade infantil. Fiquei tão grato quanto aliviado quando conversamos como de costume e assim que deixei escapar um comentário melancólico, Master me puxou para junto dele.
     Era seu jeito de tentar salvar-me de mim mesmo, talvez de escapar do próprio possível desamparo.
     Ele quis ver um filme e me prendeu num abraço... Gostava quando me prendia assim, mesmo que eu não tivesse intenções de resistir.
   
       O fato é que Master adorava me surpreender e não pretendia parar, quando o filme terminou beirava a hora do almoço e ele me tomou pela mão, saímos caminhando de mãos dadas e eu até sabia que aquele era o caminho que levava à aldeia... Mas, inqueri sobre o lugar que estávamos indo em específico e não é que desconversou?
    Quando chegamos ao coração da aldeia, senti os olhares das pessoas sobre nós dois e a mão dele segurou ainda mais forte a minha.
         Não eram olhares de censuras, eram mais curiosos.
         E no entanto, esqueci esse detalhe rapidamente assim que entramos num restaurante de dimensões humildes e aspecto acolhedor... Romantizado, a meu ver.
     Ou provavelmente, fosse meu jeito de observar que terminasse por romantizar tudo a minha volta.
     Comemos miso ramen enquanto eu estava distraído em pensamentos tão bucólicos quanto aquele ambiente e entre conversas e gafes a parte, Master veio-me com a seguinte sugestão...
__Lawrence, eu queria esperar mais um bocado, mas acho que agora seria um bom momento. Gostarias de vir trabalhar comigo para o Paradise?
              Essa era a última proposta que eu esperava ouvir, nas atuais circunstâncias.
        E apesar de parecer insanamente descabida, a loucura maior foi dizer sim por mais que o medo parecesse tragar a cadeira onde eu estava sentado.
                                                      ************                           
                 Os lugares anteriores onde estive em minha vida não se pareciam em nada com aquele recanto repleto de arvoredos, um rio de águas escurecidas pelas últimas chuvas primaveris e uma cascata caindo por cima de uma bela formação rochosa cuidadosamente esculpida pelo tempo e pela erosão.
      Era quieto, quero dizer... Ouvia-se o som da queda d'água fluído e continuamente, o barulho da brisa fazendo a vegetação local farfalhar levemente, o canto de pássaros quase distante.
     E talvez, por ser dia de semana, somente Master e eu.
     Como eu que estava no comando, ou ao menos Master tinha dito que estávamos por minha conta naquele lugar, eu que o puxei pela mão porque eu queria subir nas pedras que cortavam o curso do rio.
     Mas, pouco antes de me aventurar, ouvi sua advertência cuidadosa ao passo que o puxava persistente pela mão:
__Lawrence, cuidado. Essas pedras não são seguras.
     Eu sorri jogando meu cabelo solto por cima dos ombros e usei duas mãos para puxar Master, fui subindo numa pedra e depois noutra e ele me olhou atravessado, também sobre uma delas.
__Viu? Não aconteceu nada... Olha só para isso, Master.__ Pedi olhando para baixo, a correnteza calma carregando folhas vez outra passava bem debaixo de nosso pés firmados nas pedras em vários formatos.__ É magnífico...
     Talvez para ele não fosse tão magnífico, afinal Master passara a infância neste lugar. O deslumbre inicial teria ficado em algum momento estampado em seu semblante de garoto, com os cabelos antes vermelhos tocados pelo vento.
     Essa visão do pequeno Master me agradava imensamente, enchia-me de ternura.
            E na realidade, ele me sorriu de um jeito que conseguiu transpor todo o sentimento de um ou dois segundos atrás, sua voz soou um bocadinho mandona:
__ Muito bem, agora desce.
__Não, não, não... Eu estou no comando, lembra? Que houve com “muito bem meu amo, farei o que me mandar", hum?__ Eu o desafiei fazendo uma careta.
__Isso não inclui tentativas tolas de te magoares. Desce por favor, Lawrence...
    Senti que nada que eu dissesse faria Master mudar de ideia, por isso lancei-lhe um olhar atrevido e soltei sua mão.
__Não farei nada demais... Só caminhar nas outras pedras, prometo não me machucar.
__Como queiras, depois não digas que não te avisei.
    Eu me virei e fitei as outras pedras que cortavam o caminho do rio, calculei o tamanho do passo de uma para a outra mentalmente e pensei: "Se eu virar para trás e tornar a encarar Master, sei que vou perder a convicção de ir em frente... E eu não sei quando poderei fazer isso de novo, ou mesmo se poderei."
    Escolhi uma pedra maior, achando que as chances de algo dar errado eram menores... E no entanto, enganei-me da pior forma.
    Assim que pisei, a sola de meu tênis deslizou no lodo que cobria a superfície rochosa e escorreguei feio.
      Minha teimosia resultou num mergulho acidental, desci de uma só vez para dentro da água turva e gelada. Por um instante fiquei submerso e consegui vir a tona sentindo a correnteza querendo me puxar e a primeira coisa que me ocorreu foi segurar-me a uma das pedras.
    Cacei Master com meu olhar imaginando que já ia levar uma bronca, mas ao invés disso Master levou a mão à cabeça e atirou-se na água suponho que mesmo sem pensar e mais que depressa, senti que me agarrava pela cintura, preocupado em manter meu corpo na superfície.
    Tudo aconteceu tão rapidamente, ele olhou dentro de meus olhos.
__Eu avisei-te...
     Mas, eu não conseguia sentir remorso pelo o acontecido, eu estava totalmente fascinado por sentir o rio a minha volta, tendo Master junto ao meu corpo. 
    Mesmo no instante em que eu estava submerso, livrei-me perigosamente da sensação de medo.
    Olhei também dentro de seu olhos num gesto repleto de excitação e passei meus braços por seu pescoço.
__Já que estamos na água... Porque não vamos até a cachoeira? Só um pouquinho, Master.
__A sério, mas tu consegues ser safado em todas as situações? Sabes que vais levar sermão por causa desse curativo, não sabes?
__Terá valido a pena se nadarmos juntos até a cachoeira... Sabia?__ Eu repliquei estalando um beijo em seu queixo.__ Depois disso, ouço quantos sermões quiser.
     Master tinha um olhar que parecia dizer: "Ah, vais... Vais ouvir muitos sermões!"
    E acabou por ceder a minha vontade, guiando-me bem junto dele dentro daquele rio até ficarmos sob a queda d'água... O sol também estava sobre nós e convertia as gotículas em pequenos arco-íris.
     Foi nesse instante que não resisti e enchi seu pescoço de beijos, aquela situação cheia de um frescor selvagem estava me deixando mais excitado do que o normal.
      O que me freou foi sentir um peteleco na minha testa... Um clássico do Master.
__Nem a água gelada te controla essas hormonas, garoto pervertido?
__Acho que já tens sua resposta... Pois não?__ Eu ri estalando um beijo em seus lábios frios.
     Seus lábios também caçaram os meus e não pude mais me segurar, creio que nem mesmo ele... Senti sua língua emaranhada a minha, num beijo que era pura doçura, vento e cascata ao sol.

6 comentários

  1. E para onde foi o castigo do Law em não haver sexo?
    A situação está bem propicia a isso...

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    1. Não, Rima. O castigo do Law não era não haver sexo, mas sim só contar fatos da vida dele apenas cada vez que eles fazerem sexo. ^^"
      Então, depois disso... É provável que o Lawrence diga algo sobre si para o Master. Algo que ele considere significativo.

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    2. ah eu ja estou confundindo tudo rsrsr
      sendo assim que aja sexo
      tanto um como outro ainda tem muito por contar

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    3. Verdade, eles tem muito para descobrir um sobre o outro. ^^"

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  2. Ah, parece tudo tão lindo entre os dois ^_^ Lawrence é muito teimoso, ccéu crus ahusha Mas ele quer aproveitar tudo que não teve chance, parece um menino sapeca <3

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    1. Lawrence é mesmo bem teimoso, Golden... E eu creio mesmo que ele seja um garoto sapeca! Ele pode ter dezenove anos, mas é bem infantil quando lhe apetece. :)

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