Red District This Side of the Moon 40 por C.C & Mel Kiryu


  Pequeno Prólogo por Mel Kiryu

          "Eu vou morrer!"
     
        Apertei os olhos e baixei a cabeça, certo de que Hagane iria atirar por eu ter zombado do que era sua prova de amor.
     O assassinato, sem dúvida, à sangue frio de um dos homens que violentaram-me na Houkan House, numa noite não tão distante.
     Não pensei em nada e só esperei o som do disparo, a morte eminente imersa em pensamentos envoltos num puro branco.

    Ouvi um estrondo seco e breve e estremeci, ciente de que ainda ainda estava a respirar.
     Tive o reflexo involuntário de tapar os ouvidos com a mão depois do tiro e levantei devagarinho meu olhar.
       Hagane ainda segurava a arma e a apontava num ângulo de noventa graus.
         Mas, seus olhos dourados estavam fixos em mim.
        Sem que pudesse evitar, escondi meu rosto e lágrimas correram por meu semblante franzido.

                                                            Capítulo 40 – A perspectiva de Akane Hagane

                   As investigações de Genzo no dia anterior levaram-me a descobrir alguns detalhes à cerca do proprietário do Paradise Host Club.
          Eu já havia descoberto seu passado como michê, a fim de pagar uma dívida com a Houkan House e através do dossiê de Genzo e sua informante, outras informações bastante relevantes e dentre elas, que Master não dormia em seu apartamento por dois dias seguidos.
     Claro que esse detalhe havia sido descoberto pessoalmente por uma das ajudantes de Genzo que se disfarçara de entregadora e extraíra a informação com o porteiro que o proprietário pouco andava parando em sua residência, o que não era comum.
    O mais óbvio é que ele andava pernoitando em outro local, não descartei que Master pudesse usar o próprio Host Club como refúgio, considerando que o Paradise funcionava até tarde da noite, mesmo assim deparei-me com a informação de que havia uma casa de campo no nome de sua mãe e como ele possui um carro, não desconsiderei a ideia que Master estivesse fazendo uso do imóvel.
     Não havia realmente pistas de que Lawrence estivesse em companhia desse homem e não era boa ideia sondar no Host Club, além de ser um sítio óbvio demais para se procurar.
      Minha decisão de ir até a casa de campo era um tiro dado no escuro.
      O lugar era ermo, em todo caso um bom lugar para se esconder um foragido.
      Como eu não fazia ideia do que podia suceder, decidi deixar meu carro na residência de um dos membros do clã e aluguei um SUV Honda para essa investigação.
         Quando achei aquele lugar, tão isolado, a casa cercada por quilômetros de paisagem campestre, ocorreu-me que havia sido um erro me deslocar até aqui. Ainda sim, desci do carro e segui com cautela ao verificar o perímetro.
        Encontrei o imóvel rústico trancado e não vi qualquer movimentação em seu interior, o que me fez persistir em averiguar o local foi encontrar marcas de pneus recentes no terreno e no entorno, algumas pegadas igualmente frescas.
      Até que eu o vi, quando estava a vasculhar as laterais do imóvel.
      Era ele mesmo... Lawrence.

        Percebeu o SUV e moveu-se com desconfiança e cautela, tão jovial e bonito, mais ainda do que eu me lembrava. Era raro poder ver sua silhueta à luz do dia.
       Todos os meus sentidos tornaram-se insuportavelmente despertos, alertas.
     Esperei a oportunidade perfeita para imobiliza-lo contra a porta trancada, portou-se tão arisco e bravo que deu-me vontade de rir de seu temperamento manhoso, fiquei algo intrigado quando Lawrence continuou resistindo desconfiado. Mesmo quando se deu conta que era eu que estava ali a toca-lo.
     Girei seu corpo num gesto preciso e pude olhar no verde inquieto de seu olhos, a luz da tarde, o verde da paisagem a nossa volta, tornava a cor de seu olhos muito mais intensa, como furta-cor. Todo conjunto de seu rosto delicado, os lábios róseos e macios que tantas vezes eu já tinha provado, seu nariz discreto e arrebitado... Tudo isso somado ao que sentia por ele, fez com que eu cometesse o erro de baixar a guarda.
     Não sei como ele pode pensar que conseguiria escapar de mim.

     Eu o encurralei num caminho ladeado por árvores altas e uma plantação de bambus, era tão ingênuo ao pensar que eu estava ali para devolvê-lo a Houkan House. Mas, nada me tirou tanto do sério, quando sua voz de garoto me disse que queria ficar com Master!
    Deu-me de fato a entender que estava apaixonado pelo dono do Host Club e tentei agarrar Lawrence por algum senso de obrigação ou culpa ao confessar que tinha executado Samejima Ikuta.
        Cometera um crime por sua causa, meu jeito de mostrar que Lawrence era tudo para mim.
        Minhas palavras não chegavam nem de longe ao seu coração e saquei minha arma, o ciúme detonara tudo que havia de ruim em mim. Descobrir sua paixão por outro homem pareceu-me uma traição imperdoável.
       
           Sim, eu engatilhei a arma para atirar em Lawrence.
       Cheguei a visualizar em minha mente seu corpo indo ao chão, baleado à queima roupa e até mesmo o dono do Host Club encontrando seu cadáver.
       Fui o pior, desviei meu braço com a arma engatilhada e a bala atingiu o tronco de uma das árvores.
      Lawrence que aceitara a morte resignado, olhou-me pálido após o estampido da arma soar e escondeu seu belo rosto como um menino assustado, seus ombros tremeram quando se pôs a chorar.
      Eu, seu suposto executor e amante, não me senti merecedor de servir-lhe de consolo.
     Ouvi seu choro e dei-lhe as costas devagar, enquanto guardava a arma no coldre e ajeitava meu sobretudo.
     Mas, antes que eu pudesse me afastar... Ouvi sua voz me chamar.
__Hagane... Perdoe-me.
    Sua voz chorosa parecia uma corrente inquebrável unindo nossas existências.
    Eu queria mata-lo há dois segundos e era justo ele que vinha se desculpar?
__Pelo o que, Lawrence?__ Eu inqueri, sem me virar.
__Eu queria poder te amar de volta... Mas, não posso.
    Ouvi Lawrence fungar, tentar abortar as próprias lágrimas.
__Nunca foi minha intenção causar... a menor dor que fosse a você, Hagane...
    Perguntei-me se alguém nas redondezas poderia ter ouvido o disparo de minha arma, em verdade o mais prudente era estar longe dali e ainda sim, não suportei a ideia de ignorar a doçura de Lawrence.
    Se atirar nele era difícil, que dirá dar-lhe as costas como se não fosse nada.
    Virei-me em sua direção e lhe estendi a mão, as lágrimas, o sangue do corte na bochecha e a terra se misturavam em sua face.
__Lawrence... Não piore tudo demonstrando compaixão.
__Você... Pretende me entregar para a Houkan House depois disso?
     Ele achou mesmo que eu fizesse tamanha retalhação? Era um garoto tolo, mas também bem determinado quando queria. Porque, quando fez-me essa pergunta, o medo anterior havia deserdado de sua voz.
__Por mais que eu sinta raiva, Lawrence... Por mais que eu odeie o fato de você gostar de outro homem e não tenha dúvida... Como eu odeio isso! Nunca vou conseguir feri-lo tal como você fere a mim.
    Limpei o sangue e a terra de seu rosto com o auxílio de um lenço e neste momento mirou-se compenetrado no meu rosto, nós dois caminhamos juntos até o SUV.
__Você vai ficar bem, Hagane?
__Realmente não sei... De certo que não vou ficar mais tempo no Japão, nada me prendia tanto a este país quanto você.
__Nunca se sabe... Pode ser que... Quando menos esperar encontre uma paixão ainda maior.
__Como a que você sente pelo tal do Master?__ Meu comentário soou algo ácido, era inevitável.
__Ouso dizer que meu sentimento pelo Master... Beira ao amor.
    E Lawrence o disse timidamente, como a beira de um mar de pensamentos onde fosse mergulhar.
     Tão somente toquei em seu queixo e o beijei, estalando meus lábios nos dele.
__Cuide-se, Lawrence... Nunca falei tão sério: Cuide-se.

    Tendo o dito, entrei no SUV e ocupei o banco do motorista.
   Lawrence ainda ficou ali fora a me observar a manobrar o carro e sumir daquele lugar.
   Presumo que ele não tivesse noção do quanto era difícil para mim voltar para a cidade, com o banco do carona vazio depois de tê-lo encontrado.
     Eu estava sendo assolado por um fulminante sentimento de frustração, mesclado ao fracasso.
     E no entanto, também não poderia estar mais preocupado com Lawrence.
     Sair de vez do mundo da prostituição era tão pouco possível e complicado quanto deixar o mundo da máfia.
         Será que este meu doce garoto tinha uma real noção do que o esperava?
           Por menos que eu quisesse, não cabia mais a mim buscar a resposta...
                                 Ou mesmo, solução.
   
         
         

3 comentários

  1. O medo que eh sentia de Hagane dissipou um pouco... Mas assim como ele estou preocupada com Law. Não vou mentir que acho essa ideia de leva-lo ao Host um pouco louca.. mas vamos esperar pra ver xD

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  2. eu como sou lerda esqueci de comentar
    fiauei aliciada com a reacao do Hagane
    O mesmo que o Law lhe desejou eu tambem desejo ♡
    Agora falando no master ele nao vai se arrepender se querer mudar o visual do Lang?
    Eu arrependia na hora

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  3. boa noite! Mel os capitulos estao maravilhosos. ansiosa pra ler os outros capitulos

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