Devalli Demons Capítulo 74 por Golden Moon


Capítulo 74

Os baques do lado de fora se tornaram cada vez mais fortes. Eu estava suando naquele lugar, não sei se de calor ou de medo do que estava acontecendo. Eu gritava o nome de Dylan, mas também ouvia os gritos desesperados de outras pessoas do lado de fora.

Era o ataque...o ataque já começou.

Os baques cessaram e logo ouvi as trancas da porta se desfazendo. Afastei-me, sabendo que ele logo me tiraria dali.

Então, a figura de Dylan tomada por sua forma demoníaca, surgiu a minha frente. Ele não se aproximou de mim, mas eu tratei de me jogar em seus braços, de olhos fechados, sentindo aquelas escamas espetarem a minha pele.



— Dylan! — ele beijou a minha face, sem me apertar em seus braços.

— Não temos tempo. O ataque já começou. — ele falava para mim enquanto sua respiração continuava profunda. Estranhei o fato de que ele não havia me abraçado de volta… então, finalmente discerni um cheiro de sangue subir no ambiente.

 Quando abri os olhos, vi duas criaturas estiradas sobre o assoalho, o susto foi tamanho que me afastei bruscamente dele.

Então, percebi: as mãos de Dylan estavam encharcadas de sangue.

— Vamos. Você precisa ajudar seus familiares, eu vou te proteger.

O olhar de Dylan esmoreceu repentinamente. Eu estava prestes a ver algo que nunca mais esqueceria e que, com certeza, traria muitos pesadelos. Ele me deu as costas seguindo pelo corredor. Suas asas distendidas sobre o ar mantinham-me um pouco afastado de seus passos e eu sabia… estava encolhido, olhando para o chão. Ainda domado pelo medo. Ouvindo os gritos e a correria se aproximarem dos meus ouvidos. Pouco antes de alcançarmos a sala, Dylan parou bruscamente e voltou-se para mim,

— Procure os seus pais, eu estarei logo atrás de você.

— Dylan! — Philippe apareceu no corredor e sua aparência se assemelhava a de Dylan, porém as asas e chifres eram menores.

— Meu irmão me falou o que aconteceu. Will, eu sei onde seus pais estão.  — ele se aproximou de mim e eu apenas olhei para Dylan, esperando que ele me desse algum sinal.

— Venha, não temos tempo! — Philippe estendeu a mão para mim. E eu hesitei, ainda esperando por Dylan.

— Vá com ele, eu estarei por perto.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Dylan voou para longe, sua silhueta desapareceu naquele corredor.

— Vamos, antes que algum deles nos encontrem.

Eu apenas aquiesci e deixei que Philippe segurasse a minha mão e me carregasse adentro daquele salão. Eu fechei os olhos.

Mas sentia vultos ao meu lado, gritos e empurrões. Até que tropecei em algo e no impulso acabei abrindo meus olhos, quando olhei para trás, era um corpo fantasmagórico estirado ao chão.

— Não precisa olhar, venha.

Quando olhei para a entrada do salão, algumas pessoas estavam na porta, procurando alguma saída, que obviamente estava bloqueada. Philippe me puxou de volta ao caminho, chegamos a um corredor, e ele me conduzia por curvas que eu apenas seguia, sem me importar onde estávamos seguindo.

— Philippe, não há outra saída?

— Estamos procurando.

Chegamos à entrada de outro espaço do salão, que mais parecia uma sala de descanso, não tão ampla como o espaço de festas, mas poderia abrir bastantes pessoas. Nas sombras, Philippe se desfez de sua forma demoníaca e desatou nossas mãos. Adentramos quietos, respirando rápido por conta da corrida. Comecei a estranhar o fato de que nenhum Goon nos atacou durante a fuga.

Sabia que não estávamos seguros ali, era uma questão de tempo. Ivan estava na entrada, como de guarda. Minha mãe surgiu esbaforida, o rosto completamente vermelho de choro. Ela me agarrou como seu bem mais precioso, e seu choro ecoou na sala silenciosa, onde as pessoas se encostavam pelos cantos, por medo do que podia acontecer.

— Meu filho, meu amor! — ela beijou toda a minha face — Onde você estava, William?!

— Calma, mãe, eu estou bem. — tentei manter a calma, ainda com a respiração difícil.

— Por favor, não falem alto. — a voz de Ivan soou imperativa, mas baixa, para manter nossa proteção.

Meu pai apareceu atrás de Jasmim, também vermelho de nervoso, olhando-me como se tentasse um esforço enorme para não me repreender.

Ele olhou desconfiado para Ivan, e eu podia entender que seu faro captava alguma coisa. Andou até a entrada e eu segui atrás dele, mas fui impedido por Philippe, que me segurou pelo braço.

— Deixe-o! Ele está estranhando a ausência do resto de minha família e de Erin.

— Todos vão perceber! — exclamei, tentando não aumentar o tom de voz.

— Não há mais como esconder, Will. — os olhos de Philippe me lembraram de seu irmão. Era o Louis tomando conta dele, novamente. Ou esse jeito também era seu e eu não o conhecia.

Eles não podiam mais esconder, mas eu… eu tinha uma família pra enfrentar, o que eu deveria dizer?

— William. — meu pai surgiu atrás de mim, e eu respirei fundo, olhei para trás. — o que você sabe disso tudo?



****

Dylan Devalli



Eu me lancei sobre o salão, porém, estava extremamente preocupado com a proteção de William e Philippe. Meu primo era novo, ainda não dominava muito bem seu poder e também não se interessava por isso. Eu já havia trucidado dois Goons. Faltavam quatro deles. Erin e seus irmãos, unindo-se a mais uma criatura que ainda não conhecíamos. Eu, Louis e Elizabeth poderíamos ser o suficiente.

Elizabeth lutava com ferocidade, mas ainda não era toda a sua capacidade. O salão tinha alguns corpos espalhados pelo chão e meus primos lutavam à frente. Por um momento, eu me perguntei, por que tudo aquilo? Pra quê Goons gostavam de envolver inocentes naquela história… tudo isso para demonstrar poder? Era insano.

Respirei fundo, até que vi Louis ser jogado ao chão. Meu rosto se contorceu de dor por ele e voei ao encontro de seu agressor, jogando-o contra a parede. A criatura ainda não estava morta, mas tratei de ajudar Louis a se levantar novamente. Meu primo reclamou de dor em sua asa, mas logo voltava a lutar contra seu adversário... e eu voltei a realidade: deveria ajudá-lo.  As criaturas que meu primo enfrentava eram mais fortes e preparadas do que os dois os quais enfrentei anteriormente. Atacavam com golpes precisos e uma agilidade que poderia me impressionar se não fosse mais rápido e forte do que eles. Eram Stefan e outro que eu não reconhecia. Estavam ao nível do meu primo.

Ouvimos um grito de desespero ou dor. Elizabeth trucidava mais um, usando apenas a sua mão, Stefan se desviou de mim e ajudou a outra criatura a tentar atacá-la, mas ela se defendeu, utilizando a força de suas pernas. Os goons voaram de encontro a parede, mas logo retornou a atacar Elizabeth, que já tinha terminado o serviço.

A criatura sobre as mãos de Elizabeth era Ingrid. Quem a defendia, junto a Stefan, Erin.

Agora, só sobravam três.

Os três que restaram, pararam e nos observaram, sabendo que deveriam aceitar a derrota.

— Onde estão Lily e Max? — perguntou Stefan, ofegante.

— Adivinhe? — perguntou Elizabeth, com aquela voz aterradora quando estava sua pior forma.

— Você não disse que o prodígio era só aquele Dylan? — o desconhecido gritou para Erin, que lançou seu olhar raivoso para Elizabeth.. Que exibia um sorriso de satisfação em seu rosto.

Não era comum mais de um prodígio na atual geração de uma raça. Os Devalli realmente eram uma exceção e… Eles foram surpreendidos. Era a melhor vantagem que poderíamos ter no momento. 

5 comentários

  1. Gente, quantas lutas nesse capitulo. O Dylan não perde tempo. 'O'

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    1. Dylan realmente é bastante ágil, faz jus ao título de Prodígio hahah

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    2. Opa, prodígio, características que me chamam atenção. <3

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  2. Nossa tanta emocao num so capitulo
    que os devalii continuem indo bem na sua luta

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    1. Eu adoro escrever caps assim! <3
      Vamos esperar pelos próximos capitulos pra ver como ele ser se sairão :D

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