Red District This Side of the Moon 43 por C.C & Mel Kiryu


Prólogo - Desenho vs Honra (por C.C)

O dragão desenhado na folha encarava-o com o olhar que no futuro seria vermelho vivo. Não precisara de perguntar ao colega que tipo de pessoa requisitara aquele tipo de desenho. Fizera parte da vida dele e com os anos descobrira que havia muitos desses clientes que se deslocavam à loja. Máfia. Não era raro frequentarem lojas de tatuagens no Red Distrit mas segundo o que ouvira aquela em particular era das mais concorridas. A qualidade do trabalho e dos desenhos ficavam acima da média. E claro, a mente aberta do dono não deixava que se recusassem clientes independentemente da ocupação ou status. Se pagar é bem-vindo.

- Pensa positivo Yuri-chan, eles quando ficam satisfeitos trazem os amigos.
- Não consigo entender essa tua confiança. É dinheiro sujo.
- É dinheiro e isso é que interessa. Mas como sei que tens problemas com isso se quiseres eu começo a fazer os desenhos desses pedidos.
- Eu não tenho problemas com os desenhos, só não gosto da ideia de os ver ganhar vida nas costas de criminosos.
- Tu também já foste um deles Yuri-chan.
Essa era uma verdade que não podia ser apagada. Mas também explicava a convicção na sua voz.
- Positivo Yuri. Positivo. Quem sabe as surpresas que a vida nos reserva.

                                                           Capitulo 43

Estacionei o carro nas traseiras do Host era quase hora de almoço. Antes de entrarmos no Red Distrit tinha pedido a Lawrence que vestisse um casaco que trouxera a mais e colocasse o carapuço. Tinha sido um dos poucos momentos em que falamos depois da conversa sobre nós. Não sabia se ficava mais surpreendido por ele ter levado adiante o acordo do sexo ou por ter sugerido automaticamente contar-me o seu nome verdadeiro. É claro que eu queria saber, fazia-me sentir mais cumplice dele, mas também me apercebera o quanto o passado o marcava daí a surpresa por ser ele a tomar iniciativa.
Hirano Amai. Sim, acentava-lhe que nem uma luva. Mesmo assim Lawrence seria sempre Lawrence e como tal não vi problemas em continuar a tratá-lo dessa maneira, mas não escondi o desejo de no futuro o chamar de Amai.
Em troca vi-me questionado sobre o meu próprio nome. Não mentira quando dissera que não o escondia de propósito ou por ter algum problema com ele, mas olhando para trás parecia uma eternidade desde que fôra chamado assim pela última vez. Como se esse nome pertencesse a um eu tão longinquo que mais se igualava a um outro eu. Talvez por isso sentira um frio na barriga quando Lawrence pronunciara "Aizawa Takao" com a sua voz doce e timida.
O clima descontraído fôra cortado pelos receios do rapaz que não conseguia acreditar nas minhas palavras de incentivo. O medo de ser rejeitado e indesejado sobrepunha-se à realidade da Houkan House ficar mesmo ao lado e eu notava isso. Ele sentia-se um intruso e eu não conseguia convencê-lo do contrário. Era exatamente o oposto. Não podia negar que um ou dois dos rapazes não ficara contente com a ideia pois colocava o Paradise em certo risco mas todos os outros estavam entusiasmados com a chegada de um novo companheiro. Referiam-se a ele quase como se fossem receber alguém que já conheciam e eu sabia que todos eles sem exceção fariam de tudo para que Lawrence se senti-se me casa. Eu tinha era medo do quão afectuosos eles se poderiam tornar e acabar por assustar o rapaz que tremia nervosamente.
Saímos do carro e entramos no clube. Pelo caminho fizera uma paragem e comprara dois bentos para podermos comer quando chegassemos. Àquela hora ainda nenhum dos membros havia aparecido e essa fôra uma das razões para ter ido tão cedo. Achei que seria menos pressão se Lawrence os fosse conhecendo aos poucos em vez de quando estivessem todos reunidos.
No fim de comer ainda tive tempo de fazer uma pequena e rápida visita levando-o a conhecer o espaço antes de ouvir a porta a abrir-se, o que significava a presença do primeiro elemento.
Lawrence também escutara e agora sentados no degrau que iniciava a escadaria esperavamos pela aparição. Até eu estava um pouco nervoso com toda a tensão da situação e penso que partilhamos o mesmo pensamento pois acabamos por sorrir um para o outro. Quando o som da porta dos vesteários ecoou entre nós ficou visivel a silhueta do rapaz. Se bem me lembrava hoje era o dia do...
- Oh. Boa tarde Master. - O olhar surpreso balançou entre mim e o desconhecido ao meu lado.
- Boa tarde. Akira, este é o Lawrence.Lawrence este é o Akira. Ele é o nosso barman.
O rapaz moreno de óculos sorri em cumprimento ao qual Lawrence retribui com um aceno e sorriso timidos.
Senti-me aliviado por ser o dia do Akira vir abrir, para além de ser fácil de lidar e bastante compreensivo não seria indiscreto nem criaria mau ambiente. Uma das razões pela qual eu havia sugerido que Lawrence ficasse no bar. Akira era o tipo irmão mais velho que costumava apoiar os novatos.
Após uma curta troca de palavras em que pude ver que o rapaz de olhos verdes parecia menos tenso com a presença do recente conhecido, o barman ausentou-se para iniciar o seu trabalho.
Não haviam passado sequer cinco minutos quando apareceu o segundo membro. Ao contrário dos restantes não mostrara surpresa ao avistar a minha companhia pois era um dos dois elementos que eu havia notificado com antecedência. Claro que a expressão séria e fechada deixava a impressão de ser contra a presença do rapaz mas tratei de emendar essa opinião.
- Lawrence, este é o Watari. Watari, é o Lawrence.
- Muito prazer. Bem-vindo ao Paradise. - A voz gentil por baixo da feição mais suavizada relaxou Lawrence que quase se encolhera no inicio.
- O Watari desenha tatuagens. E no passado pertenceu à máfia.
Reparei no receio que se abateu no seu olhar mas tranquilizei-o sorrindo.
Enquanto não aparecia mais ninguém fui explicando como se desenrolavam as noites no Host de forma simples. Não queria pressioná-lo com informação mas queria que ele começasse a ter já uma pequena noção de como funcionava.
- Boa tarde Master. Olá Lawrence. - O terceiro rapaz que chegara foi como um sopro de ar levando parte dos nervos para longe. O alivio de ver Jin entrar colocou-lhe um sorriso nos lábios e trocaram até algumas palavras. Ao sair deixou para trás um Lawrence bem mais animado.
O barulho de conversa fez-se ouvir quando dois dos elementos entraram juntos. Desta vez acho que o mais espantado era Lawrence que encarava um dos rapazes em especial.
- Boa tarde, rapazes este é o Lawrence. Lawrence estes são o Reiji e o Koji.
- Prazer. - Reiji cumprimenta timidamente, era um dos mais velhos e a sua timidez era o seu ponto forte que fazia ele o quinto do nosso top cinco. As senhoras adoram morenos, com brincos e que tenham personalidade reservada.
- Yo! - Koji pisca o olho desconcertando o rapaz que o encarava desde que entrara. o cabelo turquesa contrastava com os olhos da mesma cor que o tornavam num dos hosters mais excêntricos do Paradise.
Tudo corria bem e à medida que os ia conhecendo Lawrence ficava mais à vontade pois todos tinham sido simpáticos e gentis. Mas para minha insatisfação chegou um dos quais eu mais tinha receio.
- Temos convidados? - Nem tive oportunidade de me adiantar pois a voz carregada de asco dirigira-se ao rapaz de olhos verdes como uma seta. - Não acho que estamos à procura de empregados de limpeza. Já temos que chegue.
- Raven, lava essa boca antes de falares dos teus colegas e especialmente do Lawrence.
- Lawrence? Oh, é o teu novo animal de estimação. Podias ter dito logo, como não vi a casota à porta pensei que ainda não o tivesses trazido.
O meu sangue ferveu e por momentos quase me deixei manipular pelas palavras ácidas e lhe bati. Raven odiava michês, incluindo a mim. O que estava a fazer a Lawrence fizera a todos os outros rapazes que eu tirara dessa vida. Mas apesar da personalidade asquerosa a sua beleza falava por si. O cabelo prateado e olhos cor de ouro davam-lhe o titulo de host número dois. Isso e a lábia e delicadeza, por muito estranho que fosse, com que tratava as mulheres.
Lawrence, ao meu lado, crispa de leve o rosto diante da violência verbal gratuita, não desvia do fitar do Raven:
- Perdão... Acho que tentar ser um pouco gentil não te fazia mal. É o minimo que pede uma boa convivência.
Um punho cerrado acerta-lhe mesmo no meio da cabeça antes de uma nova resposta.
- Desculpem lá isto. Olá Lawrence, este é o Raven. Não ligues à porcaria que sai da boca dele, ele só é o número dois do Paradise porque tem cara de bebé e as clientes dele são masoquistas. Ah, o meu nome é Luka. - O rapaz que salvara a situação sorria por baixo de uma máscara que trazia regularmente na cara devido às suas alergias.
- O Luka é o responsável pelos fatos e roupas que usamos nas apresentações. É o nosso costureiro. - Conclui agradecendo em pensamento a intervenção dele que acenava arrastando Raven com ele para longe de nós. - Desculpa Lawrence, o Raven sempre foi o mais problemático. Ele é assim com todos os ex-michês. Sei que não justifica mas ele sofreu umas coisas no passado que o tornaram assim, azedo e intragável.
Lawrence fita Raven afastar-se com um olhar compreensivo:
- As coisas não precisam ser assim... Você próprio costuma me dizer que o passado é responsável pela pessoa que nos tornamos e sei que ele pode ser melhor do que as pessoas que foram más com ele.
Depositei-lhe um beijo na testa orgulhoso da reação dele e caminhamos para a zona pública do clube.

2 comentários

  1. boa tarde, Mel mais calma por ler os capítulos. estava com saudade de Law e master, chipo o hagane e watari

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    1. Boa tarde, Dineia! Que bom que se sente mais calma. Desculpe por te preocupar. Fico contente que tenha gostado dos capítulos.

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