Devalli Demons Capítulo 76 por Golden Moon


Capítulo 76

“Você vai me proteger?”

Perguntei há alguns dias atrás a Dylan. E, em seu modo mais doce, ele me respondia que eu ainda lhe fazia aquelas perguntas.. por mesmo eu as fazia?

Os braços de Lílian se agitavam sobre mim e Philippe. Éramos dois jovens e magrelos, aquela mulher era forte, mesmo que não tivesse tanto corpo. Mas o instinto de mãe a impelia a lutar para ficar com seu filho, que mal parecia se importar com aquela separação.


Nossa missão era levá-la para fora. Seus gritos poderiam ser escutados em toda extensão do corredor… mas eu não imaginava que mais além, no salão, aquela gritaria poderia ser constatada.

Eu apenas vi os vultos voarem contra mim e Philippe. Repentinamente, o vulto empurrou-me para longe e eu caí ao chão, enquanto Philippe jogou-se junto a mulher para dentro da sala de onde antes saímos. Porém, logo depois que me atacaram, outra criatura se jogou à minha frente, com suas asas gigantescas e as costas cheias de escamas.

Como uma fera completamente bestial atacou a primeira criatura fantasmagórica que viu à sua frente, jogando-lhe ao chão. Meu corpo permaneceu inerte, as mãos tremelicantes apoiando-se no assoalho. Sentia o peito descer e subir rapidamente, respiração descontrolada, sem saber como reagir àquela violência. Os estalos da madeira — ou seriam de ossos? — poderiam ser escutados enquanto a criatura era trucidada pela besta que submergiu à frente.

— William, corre! — Philippe surgiu a entrada da sala, já exibindo seus pequenos chifres sobre seus cabelos escuros.

Corro? Corro para onde? Levantei-me rapidamente, sentindo arrepios a cada estalo que eu ouvia.

Entretanto, quando virei para trás, outra “coisa” fantasmagórica surgiu à minha frente.

Arregalei os olhos e dei alguns passos para trás.

— William, corra!! — Philippe gritou, de longe. Porém, era tarde demais. A criatura grotesca arriscou meu pescoço em uma chave de braço.

Senti o corpo retesar. Era como se eu estivesse alheio ao meu próprio corpo.  Fiquei parado tremendo da cabeça aos pés, enquanto era obrigado a olhar para as costas escamadas de Dylan. Não podia ser ele naquele momento. Não mesmo.

Tudo que eu sentia era medo. A respiração de Erin estava junto a minha e Philippe parecia aterrorizado demais para dizer qualquer coisa. Ele havia fugido da força de Dylan. Em seus braços, via o quanto estava machucado e o cheiro de sangue me enojava.

— Veja. Ele não é quem você acredita ser. — falou baixinho, bem próximo ao meu ouvido. Respirei fundo, enquanto vi a silhueta de Dylan sumir bem à frente dos meus olhos.

Porém, sua ausência não demorou muito e ele voltou, acompanhado de gritos de uma mulher em desespero e uma criança pálida em suas mãos.

Não consegui evitar arregalar os olhos, enquanto ele ascendia em vôo para o teto, segurando a criança pelo colarinho e a mulher se ajoelhava frente à criatura, quase convulsionado em choro. A mão de Erin que me agarrava começou a tremer, e eu não conseguia imaginar que Dylan poderia fazer algum mal àquela criança. Mas a julgar pelo seu estado… A cena era aterrorizante. Eu continuava a tremer enquanto observava suas asas enormes, os olhos vermelhos de um assassino e a criança pálida e apática que não exibia qualquer reação.

— Dylan! — Elizabeth apareceu atrás de nós, e eu nunca imaginaria vê-la daquele jeito. Eu só a reconheci por conta dos cabelos.

— Solte-o agora. — disse Dylan, ainda acima de qualquer um de nós.— ou eu mato a criança.

— Dylan… — sussurrei, sem entender mais nada.

Ele foi terminantemente contra. E agora, o próprio se propunha a matar o menino.

— É melhor você soltá-lo, Erin. Seus últimos companheiros já se foram. — completou Louis, olhando-me incisivamente.

— Vocês vão nos matar de qualquer jeito. — a mão dele foi ao meu pescoço, apertando-me de tal modo que eu não conseguia respirar direito.

O rosto de Dylan desfigurava-se de tal forma que eu quase não o reconhecia. Ele também apertou o pescoço do menino que, de pálido, ficava roxo.

Lilian gritou por socorro, e o vulto de Elizabeth sumiu. Logo senti algo me puxar para trás e a mão de Erin tornou-se fraca. Desvencilhei-me sozinho do seu toque, minhas mãos foram direto ao pescoço, respirava com dificuldade. Enquanto isso Louis segurava a mulher, tentando contê-la.

Ainda sem conseguir respirar muito bem, olhei para trás e vi uma cena que talvez nunca esquecesse.

Elizabeth torturava o pescoço de Erin com suas garras e logo o jogou ao chão, ensanguentado e quase desfigurado.

Lilian não sabia se clamava por seu marido ou por sua criança. Ao ver que seu marido já havia sido morto, só restava uma vida a clamar.

— Por favor! — ainda sobre os braços fortes de Louis, ela gritava, — deixe meu filho viver! Eu juro que saio daqui, eu estarei bem longe, eu juro!

Ela se deixava cair nos braços de Louis, que aos poucos afrouxou o seu toque, permitindo-lhe ajoelhar ao chão.

A figura de Dylan agora pousava ao chão, mas o menino ainda permanecia em suas mãos.

Uma figura de rosto vermelho, cabelo loiro apareceu atrás de Dylan e um grito de horror saiu de seus lábios.

Era Jasmim, que provavelmente ouviu o clamor de sua irmã.

— Por favor! — o choro dela tornou-se um zunido estranho e lamurioso.

Jasmim, como se não soubesse o que fazer, continuou parada, de olhos arregalados, observando seu sobrinho erguido nas mãos de Dylan. Aquilo não poderia ser mais traumático para ela. Logo, Ivan e Jim também estavam ao seu lado. O primeiro daquele seu modo impassível e meu pai aterrorizado demais para se mexer.

— Solte-o, Dylan. — a decisão saiu da boca de Elizabeth. O que gerou susto não apenas em mim, mas em todos os seus companheiros. Lilian nunca foi uma mãe exemplar, eu sabia disso. Mas aquele desespero tinha um quê de instintivo. Um ‘quê’ de uma mãe que clamava por aquele que ela gerou.

Sem qualquer cuidado, Dylan soltou a criança e sua silhueta sumiu daquele corredor. Eu sequer consegui ver para onde suas sombras seguiram.

Os Devalli voltaram à suas formas humanas, Lilian correu para seu filho agarrando-o entre os braços.

Minha mãe veio ao meu encontro, e eu apenas olhava para o chão, assustado demais com o que havia ocorrido.

— Meu filho… seu pescoço! — ela olhou para a minha pele vermelha e depois para o lado, arregalando os olhos ao ver a criatura morta ao meu lado.

— É o Erin, mãe. Ele e os irmãos eram Goons, demônios. — falei, ainda com dificuldade.

Os braços finos de Jasmim começaram a tremer. Ela vagueou seu olhar em direção ao marido, que ajudava a irmã a levantar-se.

— Você sabia de tudo isso, William? — perguntou ela, a voz um pouco mais alterada… como nunca tinha escutado antes.

— É melhor vocês conversarem sobre isso em outro momento. — Elizabeth interviu,  novamente em sua posição de líder, tal esta eu tinha visto se desmanchar a poucos minutos.

— Como podemos confiar em vocês?! — Jasmim exclamou, dando um passo a frente para enfrentar Elizabeth.

A líder dos Devalli continuou impassível a sua frente, sem mover um dedo para tocá-la. Todos observaram a tensão dominar o ambiente e, a única coisa que consegui articular naquele momento, foi o que saiu dos meus lábios,

— Mãe… Eles nos salvaram.

3 comentários

  1. Acho que essa luta não acabou muito mal
    Contudo o William vai ter muito que explicar aos pais

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    1. Siim, os Devalli se saíram bem! Mas Will vai ter que enfrentar seus pais por uns dias... :/
      Obrigada Rima-san!!

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  2. bom dia Mel estou com saudades das suas histórias, por favor posta o mais rápido possível. espero que você esteja bem. até mais

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